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Uma jornada de extremos em Paris


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O presidente da França, Emmanuel Macron, tinha um plano para os festejos do 14 de Julho — fazê-los monumentais, com número recorde de 6 600 soldados, 98 aviões e 315 tanques. A ideia era demonstrar a força das tropas da Otan, em oposição aos ataques da Rússia contra a Ucrânia. Não por acaso, o convidado de honra foi o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, recebido com pompa entre os 35 chefes de governo de uma coligação em busca de paz. Na véspera, em aceno de amizade aos Estados Unidos, um espetáculo de fogos de artifício iluminou o céu de Paris, ao lembrar os 250 anos da independência americana. Do ponto de vista simbólico, funcionou. “Prezamos a liberdade e o estado de direito”, discursou Macron. “Estamos prontos a lutar, e ao preço de sangue, se for necessário.” O dia, que começou bem, com a tradicional chegada do Tour de France, a celebrada prova de ciclismo, cresceu com os rapapés costurados por Macron e sua mulher, Brigitte, mas terminou amargo. Calhou de a data coincidir com a partida da semifinal da Copa do Mundo, entre França e Espanha. Os franceses não viram a cor da bola, na derrota de uma seleção tida e havida como a melhor do torneio, mas que nada. E então, ao fecho de uma jornada estranha, o presidente da República lamentou: “Obrigado aos bleus por terem defendido nossas cores com empenho. A derrota desta noite é difícil, mas esta equipe é jovem e tem um futuro promissor”. No 14 de Julho de 2026 foi como se a Bastilha tivesse caído em Dallas.

Publicado em VEJA de 17 de julho de 2026, edição nº 3004



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