O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou nesta sexta-feira (22) que as medidas de regulação das big techs sejam uma forma de censura. O governo editou dois decretos que endurecem as regras e ampliam o poder de fiscalização estatal sobre as redes sociais.
“Me preocupa a falta de controle. Não quero censurar nada. Se no real é crime, no digital tem que ser crime”, disse o chefe do Executivo, em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil. Ele disse saber da “importância da internet para a humanidade”.
“Promiscuidade” política
Lula afirmou que os repasses do fundo partidário e eleitoral aumentaram a “promiscuidade” no sistema político. “Eu estou muito chateado com a organização política do país. Eu era favorável ao fundo partidário, ao fundo eleitoral, hoje eu sou contra, porque levou à promiscuidade da política. O PT não gosta que eu fale isso”, disse.
Lula diz ter ficado preocupado em reunião com Trump
O mandatário disse que o Brasil vive o momento de maior “respeitabilidade” internacional. No entanto, ele também relatou o temor de ser constrangido publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o encontro entre os dois.
“Eu ficava preocupado de ele fazer o mesmo que fez com o presidente Cyril Ramaphosa, da África do Sul, ou com o da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Então, quando fui encontrar com ele disse: ‘Trump, não tem como a gente falar com a imprensa agora, primeiro vamos conversar’. Ele concordou”, disse.
Lava Jato foi a “grande mentira do século 21”, diz Lula
Lula afirmou que as pessoas não gostam de debater política, porque estão expostas a “80% de mentira na televisão e denúncias de corrupção que muitas vezes não são provadas”.
Ele voltou a criticar a Operação Lava Jato, conduzida pelo ex-juiz Sergio Moro (PL-PR) e pelo ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR). O presidente passou 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), no caso do “tríplex do Guarujá”.
“Não vou entrar no meu caso, mas a Lava Jato foi a grande mentira do século 21 deste país. Os meios de comunicação fomentaram dois monstros chamados Moro e Dallagnol, que depois não provaram nada. Quebraram muitas empresas”, declarou Lula.
“Eu não vi ninguém pedir desculpas. Ninguém pede desculpas nesse país”, acrescentou. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a suspeição de Moro e anulou as condenações do petista.
Lula afirmou que a população gostará de política se os políticos forem “dignos, corretos e trabalharem em benefício da sociedade”.
Lula diz que vetará projeto que abre brecha para disparos em massa
Lula afirmou que vetará o projeto de lei que abre brecha para o disparo em massa de mensagens em ano eleitoral, inclusive com uso de caso o texto seja aprovado pelo Congresso.
A Câmara dos Deputados aprovou a minirreforma eleitoral nesta terça (19). A proposta ainda precisa ser analisada pelo Senado.
“Não pode. E agora as bancadas aprovaram uma coisa que vai fomentar o uso de robô na eleição. Eu certamente vetarei. Primeiro vou trabalhar para o Senado não aprovar. E depois eu vetarei”, disse.
Apelo a Alcolumbre para votar PEC da Segurança
Lula também fez um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que paute a votação da PEC da Segurança Pública. A proposta foi aprovada pela Câmara em março.
A relação entre os dois está estremecida desde que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Lula e Alcolumbre participaram de dois eventos públicos após a derrota de Messias, contudo, não interagiram.
“Faço um apelo ao Alcolumbre. Coloque para votar a PEC da Segurança para resolvermos definitivamente o problema da segurança”, disse o presidente.
Ele voltou a prometer que, se o texto for aprovado, o Ministério da Segurança Pública será recriado em 15 dias.
“Não posso aceitar a ideia de que bandidos dominam território. O território é do povo brasileiro e bandido tem que ser punido e ir para a cadeia”, destacou. A campanha petista busca reforçar medidas de combate ao crime organizado no ano eleitoral.
Durante a entrevista, Lula afirmou que alguns governadores são contra as mudanças. “Nós queremos unir forças. Alguns governadores não querem a aprovação da PEC, porque não querem que a gente se meta, é um pedaço de poder que o governador não quer abrir mão”, disse.
Proibição de bets
Lula destacou que, se dependesse apenas dele, todas as empresas de apostas online seriam proibidas. “Por mim, proibiria todas [as bets], [mas] não depende de mim. Eu não sou dono do Brasil, sou presidente da República, faço parte de um tripé de instituições que governam o país, com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário”, enfatizou.

