O Estreito de Ormuz foi fechado pelo Irã em retaliação à ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, que começou em 28 de fevereiro. A Marinha americana passou a aplicar seu próprio bloqueio naval na região em 13 de abril, de modo a tentar enfraquecer o regime dos aiatolás por meio do cerco à sua exportação de petróleo, principal pilar da economia local que, ao longo de toda a batalha, vinha enchendo os cofres iranianos enquanto eles reinavam quase absolutos sobre Ormuz.
A rejeição de Trump ocorre após semanas de movimentação diplomática intensa. Na segunda-feira 27, o Irã apresentou, por meio de mediadores, uma proposta para encerrar as hostilidades e restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz: Teerã se dizia disposta a reabrir a rota imediatamente, desde que os Estados Unidos suspendessem seu bloqueio naval. Trump chegou a reunir sua equipe de segurança nacional para avaliar o plano, mas nenhuma decisão foi anunciada.
A movimentação diplomática ocorre em paralelo ao fortalecimento do apoio russo ao regime iraniano. Também na segunda, o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu em São Petersburgo o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e prometeu fazer “tudo” ao alcance de Moscou para que o Irã encerre a guerra em seus próprios termos. Antes de chegar à Rússia, Araqchi havia passado por Paquistão e Omã, países que atuam como mediadores nas negociações.
Por conta do fechamento de Ormuz e de ataques iranianos ao complexo petrolífero das monarquias do Golfo Pérsico, a guerra já é considerada pelo diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, como a pior crise energética enfrentada pelo mundo — “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”, nas palavras dele. Antes do conflito, entre 125 e 140 navios atravessavam o estreito diariamente; hoje, o número caiu para uma média de seis.

