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Sem participação direta do Hamas, aliados do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, obtiveram a maioria dos votos em um pleito na Cisjordânia ocupada que incluiu, pela primeira vez em 20 anos, uma cidade na Faixa de Gaza, disseram autoridades eleitorais neste domingo, 26.
Os palestinos foram às urnas no sábado para eleger seus representantes municipais em 420 conselhos nos territórios palestinos. Além dos municípios da Cisjordânia ocupada, também houve votação na cidade de Deir al-Balah, no centro de Gaza, uma das áreas que sofreu menos danos durante os quase dois anos da guerra entre Israel e Hamas.
A Autoridade Palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia, disse que a inclusão de Deir al-Balah no pleito tinha como objetivo mostrar que Gaza é parte inseparável de um futuro Estado palestino.
Apesar de não lançar formalmente candidatos no enclave, o Hamas manteve influência indireta no processo, segundo analistas e moradores locais, que identificaram alinhamento político em algumas candidaturas. Na Cisjordânia, o grupo optou por boicotar completamente a votação, avaliando que um resultado favorável ao Fatah, partido que controla a Autoridade Palestina, já era previsível.
Liderado por Abbas, o Fatah de fato dominou as disputas na Cisjordânia, garantindo maioria qualificada nos parlamentos locais. Já no município de Gaza, a vitória foi da lista “Deir el-Balah Nos Une”, composta por candidatos considerados próximos ao Hamas, que conquistou 15 cadeiras no parlamento municipal, contra seis da lista “Nahdat Deir el-Balah”, apoiada pelo Fatah.
Simbolismo
Sábado marcou as primeiras eleições no enclave desde 2006 — quando o Hamas venceu as legislativas —, além de ser o primeiro pleito de palestinos desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
A votação foi vista como simbólica, já que a participação eleitoral foi baixa. Em Gaza, apenas 23% dos 70 mil eleitores convocados em Deir el-Balah compareceram às urnas. Na Cisjordânia ocupada, o comparecimento foi maior, mas atingiu pouco mais da metade da população (56%), segundo o presidente da Comissão Central de Eleições, Rami al-Hamdallah.
Após o resultado, o primeiro-ministro palestino, Mohammad Mustafa, afirmou que as eleições foram realizadas “em um momento altamente sensível em meio a desafios complexos e circunstâncias excepcionais”, mas representaram “um primeiro passo importante em um processo nacional mais amplo destinado a fortalecer a vida democrática e, finalmente, alcançar a unidade da pátria”.

