InícioBrasilSarrubbo: decisão dos EUA dificultará troca de informações entre FBI e PF

Sarrubbo: decisão dos EUA dificultará troca de informações entre FBI e PF


O ex-secretário nacional de Segurança Pública Mário Sarrubbo disse à CNN Brasil nesta sexta-feira (29) que recebeu com surpresa a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Segundo ele, a medida vai dificultar a troca de informações entre o FBI e a PF (Polícia Federal).

“Deixa de ser uma questão policial e passa a ser uma questão de defesa. E está aí um dos maiores prejuízos que o Brasil pode ter”, explicou.

O ex-secretário pontuou que a cooperação entre a PF e a polícia americana é tradicional, fluida, na medida que acontece quase diariamente.

“O Brasil tem um centro de cooperação internacional com a presença de policiais americanos. Isso agora acaba porque, evidentemente, as agências de inteligência como a CIA e as Forças Armadas não têm essa tradição”.

Ainda de acordo com ele, essa mudança deve dificultar o enfrentamento ao crime organizado transnacional.

“Vou dar um exemplo que vivenciei. Lincoln Gakya, no Gaeco à época, identificou uma transação financeira dentro de uma empresa dos Estados Unidos e, com os contatos que nós tínhamos com o Consulado e Embaixada, em três ou quatro dias nós enviamos um ofício detalhado e na sequência houve um congelamento desses recursos em território americano. É esse tipo de coisa que ficará impossibilitada ou prejudicada com esse novo estágio”, contou.

Outro ponto destacado por Sarrubbo é o fato de que, a partir de agora, hipoteticamente, o Brasil passa a ter risco de ter agentes da Central de Inteligência Americana aqui no Brasil.

“Sem contar questões mais graves como incursões territoriais, que muita gente não acredita que vá acontecer. Mas hipoteticamente pode, como vimos na costa do Caribe com a Venezuela”.

Recentemente, os Estados Unidos bombardearam embarcações na região, sob alegação de que estavam sendo usadas para o tráfico de drogas.

“É a normalização do absurdo, é realmente uma situação que temos que tomar muito cuidado. Se acontecer, haverá uma violação muito grave da nossa soberania”, completou o ex-secretário.



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