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A arte da guerra envolve mais do que o objetivo de todas elas: trucidar o inimigo. Especialmente no intrincado tabuleiro geopolítico destes tempos, também conta muitos pontos dar demonstrações de força e poder. Na madrugada de domingo 24, tal propósito veio na forma de um míssil hipersônico despachado da Rússia para a Ucrânia. O artefato, que viaja a uma velocidade dez vezes superior à do som e contém a assustadora capacidade de alojar ogivas nucleares (o que não foi o caso agora), percorreu mais de 1 000 quilômetros até atingir uma área ao sul de Kiev, deixando quatro mortos, dezenas de feridos e um cenário de devastação. Em outra frente, o chanceler russo, Sergei Lavrov, surgiu com ares de senhor da situação recomendando a retirada de estrangeiros da capital do país governado por Volodymyr Zelensky. Por trás da investida o que se vê é um Kremlin enredado em problemas. Ainda que o conflito no Irã tenha trazido certo alívio aos cofres, com a subida na venda de um naco de petróleo antes sob sanções, a economia pena com os elevados custos da guerra, enquanto a popularidade de Vladimir Putin cai em meio a tantas baixas humanas. Alerta às garras russas, a União Europeia classificou o envio do míssil como “chantagem nuclear irresponsável” e prevê novas restrições comerciais contra o arqui-inimigo. Como se não bastasse, também a Ucrânia anda surpreendendo não só por dominar a fabricação de drones, como por ter aprendido a contê-los à base de alta tecnologia. Restou a Putin uma resposta hipersônica que em nada contribui para o desfecho da sangrenta batalha que já dura quatro anos.
Publicado em VEJA de 29 de maio de 2026, edição nº 2997

