Na carta, o presidente da Ucrânia abre espaço para um “cessar-fogo total” enquanto forem negociados termos para o fim completo da guerra.
“A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião”, escreveu Zelensky no documento. As conversas, segundo ele, devem ser feitas com “honestidade, dignidade e garantias de que a guerra não será reacendida”.
No documento, o líder ucraniano também afirma que os russos estão cada vez mais incomodados com a pressão ucraniana.
“Eles não gostam dos nossos drones e mísseis. Não gostam da escassez de gasolina e dos preços em constante aumento. Não gostam das restrições constantes. Não gostam da sua intenção de lançar uma segunda onda de mobilização para expandir a guerra para outra direção na Ucrânia ou usá-la contra outros países vizinhos da Rússia. Não gostam do fato de que não há fim à vista para a sua guerra”, escreveu.
À imprensa estatal russa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, havia afirmado na quinta-feira que Zelensky é bem-vindo para encontrar Putin em Moscou “a qualquer momento”. Nesta sexta-feira, no entanto, afirmou que a carta “contém algumas observações bastante grosseiras”, que não ajudam a criar condições para uma reunião.
Negociações paralisadas
As negociações entre a Rússia e a Ucrânia estão paralisadas há meses, com as conversas lideradas pelos Estados Unidos praticamente congeladas devido à guerra com o Irã. Rodadas anteriores de negociações entre os dois lados em Istambul, Abu Dhabi e Genebra não conseguiram chegar a um acordo sobre a questão crucial do território em um acordo pós-guerra.
Perspectivas de avanços concretos seguem limitadas diante das exigências territoriais maximalistas apresentadas por Moscou. Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais fortes dos ucranianos.
+ Zelensky apela a Trump por mísseis Patriot após nova ofensiva russa contra Ucrânia
A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas. Analistas dizem que as foras russas ganharam cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.
A Ucrânia, por sua vez, defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo. Kiev também quer o controle de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que foi tomada pelos russos no início do conflito.
Ataques renovados
Após o apelo pela reunião, ao menos sete pessoas morreram em bombardeios russos a várias regiões da Ucrânia na madrugada desta sexta-feira, 5, de acordo com autoridades locais. No X, antigo Twitter, Zelensky afirmou que a ofensiva russa atingiu a fábrica Yagotynske para Crianças, que produzia alimentos infantis. Além disso, ele informou que “armazéns de alimentos e uma agência dos correios na região de Dnipro, uma ambulância em Kherson, um prédio escolar na região de Sumy, infraestrutura portuária na região de Odessa, prédios residenciais comuns e um ambulatório na região de Kharkiv” foram atacados.
+ Após apelo de Zelensky a Putin, Rússia lança mais de 200 drones contra Ucrânia e mata sete
A capital, Kiev, reúne o maior número de vítimas do ataque, com quatro mortos no distrito de Brovary. Mortes também foram registradas em Kherson, no sul, em Zaporizhzhia e em Dnipropetrovsk, ambas no leste. As forças russas também atacaram Odessa, no sudoeste, onde casas e infraestruturas foram danificadas. Por lá, incêndios já foram controlados por bombeiros e psicólogos do Serviço Estatal de Emergência dão suporte a moradores afetados pelos bombardeios.
A Força Aérea da Ucrânia disse ter abatido ou neutralizados 198 drones de vários modelos — entre eles, o iraniano Shahed — e outros veículos aéreos não tripulados nas nas regiões norte, sul e leste do país. Segundo o comunicado, a operação incluiu 216 drones kamikaze e dois mísseis ar-ar guiados, usados para interceptar e destruir outros alvos aéreos. Os dispositivos vieram de diferentes direções, incluindo da Criméia, uma península ucraniana anexada ilegalmente pela Rússia em 2014.

