O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira, 20, que seu país está envolvido em uma “guerra em grande escala” contra os Estados Unidos, em meio à intensificação dos ataques entre os dois países.
Segundo um comunicado da Presidência iraniana, Pezeshkian declarou durante uma reunião com autoridades judiciais em Teerã que “a República Islâmica do Irã está imersa em uma guerra em grande escala”, acrescentando que o país deve “ser realista e aceitar as consequências naturais dessa resistência”.
“Hoje, o principal campo de batalha é a economia e o sustento da população”, afirmou o presidente iraniano. “Se a pressão econômica gerar descontentamento social (…), o enorme apoio da população ao Estado poderá ser enfraquecido”, alertou.
A economia iraniana já sente os efeitos da guerra. Em junho, a inflação anual do país acelerou para quase 90%, impulsionada pelo conflito.
Novos ataques
As declarações ocorreram no mesmo dia em que os Estados Unidos lançaram uma nova rodada de bombardeios contra o Irã, na nona noite consecutiva de ataques.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio, informou que a ofensiva busca enfraquecer a capacidade militar iraniana. “Os ataques continuarão degradando as capacidades militares iranianas usadas para atacar navios comerciais e marinheiros civis que transitam pelo Estreito de Ormuz“, afirmou o comando em comunicado.
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A ofensiva deixou um morto e vários feridos em Tabriz, no noroeste iraniano, a mais de 1.000 quilômetros do Golfo Pérsico, informaram autoridades locais. Várias outras pessoas ficaram feridas durante ataques na cidade de Urmia, localizada na província vizinha. Teerã acusou os americanos de realizarem ataques em áreas povoadas, em particular em Bushehr, onde fica a única usina nuclear em funcionamento do país — a usina de Darkhovin, ainda em construção, também foi alvo de ataques.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que as últimas ofensivas militares contra o Irã foram uma homenagem aos membros das forças armadas americanas mortos nos últimos dias.
Esforços diplomáticos
Em represália, Teerã voltou a atacar nesta segunda-feira seus vizinhos Kuwait e Bahrein, aliados de Washington, ao mesmo tempo em que afirmou continuar suas conversas com os Estados Unidos através de mediadores.
“Fomos informados pelos mediadores, recebemos mensagens — sem entrar em detalhes —, mas o essencial é que o aparato diplomático esteve ativo nos últimos dias”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa em Teerã.
Paquistão, Catar e Omã participam das negociações entre Teerã e Washington.
No Bahrein, jornalistas da agência de notícias AFP ouviram nesta segunda-feira as sirenes de alerta aéreo e várias explosões, enquanto o Exército do Kuwait afirmou ter enfrentado ao amanhecer “ataques de drones hostis iranianos”.
A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou no domingo ter destruído aviões militares americanos no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, e também ter lançado “um ataque surpresa” contra instalações militares americanas na região de Al Tanf, na Síria.

