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Hamas anuncia novo líder quase dois anos após Israel assassinar Yahya Sinwar


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O Hamas anunciou, nesta segunda-feira, 20, a eleição de Khalil al-Hayya, seu principal negociador nas conversas indiretas de cessar-fogo com Israel, como o novo chefe de seu gabinete político.

“O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) anuncia a eleição de nosso irmão mujahidin Khalil al-Hayya como chefe do gabinete político do movimento, substituindo o líder mártir Yahya Sinwar“, declarou a milícia em comunicado.

Sinwar, acusado por Israel de ser um dos principais arquitetos dos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 contra o país, foi morto por forças israelenses em Gaza um ano depois. Ele, por sua vez, havia preenchido o vácuo de poder deixado por Ismail Haniyeh, morto em um ataque com bomba israelense em Teerã, capital do Irã, poucas semanas antes.

Desde o final de 2024, o Hamas tem sido liderado por um conselho chefiado pelo veterano Mohamed Darwish.

Quem é Khalil al-Hayya

Nascido em 1960, al-Hayya sobreviveu a uma tentativa de assassinato israelense em Doha, no Catar, no ano passado; um de seus filhos morreu no ataque.

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Ele ocupa funções de liderança dentro do Hamas desde pelo menos 2006, quando o grupo tomou controle da política da Faixa de Gaza antes de, em seguida, expulsar o Fatah, principal partido da Autoridade Palestina — entidade no governo da Cisjordânia.

Originário do enclave palestino, al-Hayya é o encarregado das negociações com Israel por meio dos mediadores Catar, Egito e Estados Unidos, e conta com o apoio do braço militar, as Brigadas Ezedin Al Qassam.

Cessar-fogo só no papel

Recentemente, o Hamas anunciou a dissolução do órgão que governa Gaza há quase duas décadas, abrindo caminho para que um comitê tecnocrático implemente um governo civil. Esses passos estão previstos há quase nove meses, quando foi assinado o acordo de paz entre o grupo armado palestino e Israel, com intermédio dos Estados Unidos.

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No entanto, segundo o pacto, a facção teria que se desarmar e receberia salvo-conduto para deixar o enclave — uma medida à qual resiste — e, apesar do cessar-fogo, as forças israelenses continuam conduzindo centenas de ataques contra o enclave, além de ter restringido a entrada de ajuda humanitária e impedido iniciativas de reconstrução.

Mais de 1.100 palestinos morreram em bombardeios desde então. Apenas nas últimas duas semanas, pelo menos 76 pessoas morreram em ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde local.

Em paralelo, o Exército israelense ampliou sua presença territorial e passou a controlar diretamente mais de 60% da faixa, apesar de sua retirada gradual estar prevista pelo acordo de trégua. No mês passado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu determinou que a parcela de áreas ocupadas deveria subir para 70%, e o ministro da Defesa, Israel Katz, reiterou mais de uma vez que as forças do país permaneceriam no que chama de “zonas de segurança” em Gaza, bem como na Síria e no Líbano, por tempo indeterminado.



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