O governo federal dará sequência, até a próxima quarta-feira (22), a uma série de reuniões com representantes dos setores afetados pelo tarifaço de 25% pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A CNN apurou que o vice-presidente, Geraldo Alckmin, procurou representantes de setores nos últimos dias. Assim como o ministro do Comércio, Marcio Elias Rosa, que conduz as tratativas, desde a semana passada, para discutir alternativas de apoio às empresas. A estratégia do Planalto é concentrar esforços no diálogo com o setor produtivo, diante da avaliação de que há pouca margem para uma negociação direta com o governo norte-americano neste momento.
Nos bastidores do governo, a leitura é de que o canal de diálogo com Washington está praticamente fechado e que uma eventual reabertura das negociações só deve ocorrer após as eleições brasileiras.
Integrantes do Planalto avaliam que o presidente Donald Trump prefere aguardar o resultado do pleito antes de discutir uma solução para o impasse comercial. Esse também tem sido o sentimento de empresários consultados pela CNN.
Sem perspectiva de diálogo com os EUA, esses representantes defendem que a prioridade seja por uma solução negociada com o governo brasileiro. De antemão, alguns demonstram resistência à aplicação da Lei da Reciprocidade, mecanismo cogitado pelo governo anteriormente.
Esses empresários lembram que, antes de qualquer aplicação da reciprocidade, a legislação prevê etapas como consulta pública, na qual a expectativa é de que os setores produtivos se posicionem majoritariamente contra a adoção da medida.
A percepção entre esses representantes é de que uma resposta tarifária do Brasil teria efeito limitado sobre a posição dos Estados Unidos.
A avaliação também é de que o impasse extrapolou a esfera comercial e segue pela esfera política. Integrantes do setor privado recordam que o episódio teve início com a carta enviada por Donald Trump ao governo brasileiro, na qual o presidente americano apresentou justificativas de caráter político para a adoção das tarifas. Por isso, acreditam também que as relações entre os dois países só têm chances de evoluir depois de outubro.
Assim como o governo, empresários destacam que o tarifaço ocorre apesar de o Brasil registrar déficit comercial na relação bilateral com os Estados Unidos, o que, na visão deles, enfraquece a justificativa para a medida.
Eles também alertam que a sobretaxa tende a afastar os dois países e estimular parte da indústria brasileira a buscar fornecedores e mercados alternativos, especialmente na China.

