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Graham Platner, candidato democrata ao Senado americano, encerrou sua campanha na noite de quarta-feira 8, depois que uma acusação de estupro ameaçou arruinar uma das melhores oportunidades de seu partido para tomar uma cadeira dos republicanos no legislativo nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro.
“Estamos suspendendo as operações da campanha”, disse Platner em um vídeo publicado no X (ex-Twitter). “Isto é incrivelmente difícil, porque sei que alguns vão achar que é uma admissão de culpa, e definitivamente não é. Estamos fazendo isso por causa das estruturas que estão sendo tomadas de nós por aqueles que detêm o poder”, acrescentou, em aparente alfinetada contra seu próprio partido, que o vinha pressionando para desistir.
Segundo a lei do estado do Maine, os democratas podem substituir Platner na cédula eleitoral porque ele renunciou antes do prazo de 13 de julho. A sigla tem até 27 de julho para escolher um novo candidato para disputar contra a republicana Susan Collins, senadora há seis mandatos e uma das poucas moderadas de seu partido no Congresso.
O Maine, perto da fronteira com o Canadá, é um estado crucial para a oposição em seus esforços para retomar o controle do Senado em novembro.
A acusação
Na segunda-feira 6, o portal de notícias Politico noticiou que Jenny Racicot, uma moradora de Maine de 41 anos que anteriormente havia tido um relacionamento com Platner, o acusou de forçá-la a ter relações sexuais no fim de 2021, apesar de suas repetidas objeções.
Sua campanha perdeu rapidamente o apoio de todo o Partido Democrata, desde a classe política de Washington, que já o mirava com desconfiança, até os legisladores progressistas e ativistas que o haviam defendido.
O colapso representa uma virada dramática para um candidato que, há apenas algumas semanas, era aclamado por seus apoiadores como prova de que uma mensagem contundente contra o establishment poderia conquistar eleitores cansados da política cautelosa dos democratas.
Platner, veterano da Marinha, produtor de ostras e recém-chegado à política, venceu as primárias democratas do mês passado no estado do Maine, no nordeste do país, em uma ascensão meteórica que chegou a ser comparada com a de Donald Trump.
A reportagem do Politico foi publicada após outras polêmicas envolvendo o agora ex-candidato, relacionadas a antigos comentários online, mensagens de teor sexual, uma tatuagem com conotação nazista que depois foi coberta, além de acusações de violência contra mulheres. Platner admitiu que enfrentou dificuldades vinculadas a um transtorno de estresse pós-traumático não diagnosticado e ao abuso de álcool, mas negou ter agredido fisicamente ex-parceiras.

