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Brasil ‘pode desempenhar papel sério em esforços de paz’, diz porta-voz da Ucrânia


Em meio a uma nova escalada de ataques na guerra desencadeada pela invasão da Rússia à Ucrânia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores ucraniano, Heorhii Tykhyi, reconheceu nesta terça-feira, 21, que o Brasil “pode desempenhar um papel sério em esforços de paz em vários formatos”. 

“O Brasil tem diálogos com a Rússia. Nos últimos anos, vimos em uma série de ocasiões que a liderança brasileira pediu um cessar-fogo, e apreciamos porque precisamos deste cessar-fogo”, disse Tykhyi em conferência online com um grupo de jornalistas latino-americanos, do qual VEJA fez parte.

O porta-voz exaltou ainda o recente encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Évian, na França, às margens da cúpula do G7.

“Existe um grande valor em manter este canal aberto. Nosso convite para que líderes brasileiros e autoridades brasileiras visitem a Ucrânia segue aberto. Ficaríamos muito felizes em receber o chanceler Mauro Vieira”, disse.

No ano passado, Lula e Zelensky já haviam se encontrado às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Na ocasião, o ucraniano afirmou que “Lula me disse que fará o possível para a paz na Ucrânia”, dizendo também ter apreciado “sinalizações feitas pelo Brasil”.

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Em nota, à época, o governo brasileiro afirmou que Lula “reiterou sua convicção de que não haverá saída militar para o conflito”, expressando apoio a diálogos diretos entre as partes e maior engajamento da ONU na busca por uma solução negociada. Para o Brasil, “um entendimento sobre as condições de um cessar-fogo deveria ser o primeiro passo de um processo de negociação”. 

+ Ucrânia recupera mais território do que perde e interrompe avanço russo, afirma Kiev

Em entrevista a VEJA, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, já havia adiantado que seu país “conta com um papel mais ativo do Brasil” para esforços de paz, reconhecendo e elogiando participação de Lula para intermediar, através de conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, um encontro entre representantes de Kiev e Moscou, que aconteceu em Istambul.

A mudança de tom e os encontros recentes seguem relações muitas vezes conturbadas. Em 2025, por exemplo, Zelensky chegou a afirmar que o “trem do Brasil passou”. Cogitou-se que os dois poderiam se encontrar para uma bilateral às margens da cúpula do G7, em junho passado, no Canadá, o que não aconteceu.

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Também em 2025, Zelensky rejeitou publicamente a proposta da China e do Brasil para o fim da guerra, acusando os dois países de tentarem “aumentar seu poder às custas da Ucrânia”. Lula, em dura resposta, criticou o ucraniano pelo fracasso em encontrar uma solução para o conflito, que se arrasta desde fevereiro de 2022.

Guerra na Ucrânia

No domingo, a Ucrânia lançou mais de 400 drones contra Moscou, capital da Rússia, e sua região metropolitana, deixando dez feridos, entre eles três chineses. O ataque ocorre após uma escalada das tensões na guerra durante o fim de semana – a Rússia lançou uma série de mísseis balísticos contra Kiev, deixando pelo menos seis pessoas mortas e dezenas feridas. Além da capital, os bombardeios atingiram Kharkiv, Kherson e Sumy.

A ofensiva com 41 mísseis balísticos – a maior em um único ataque desde o início da guerra, segundo autoridades ucranianas – atingiu um dormitório, um bloco residencial e um supermercado, além de edifícios não residenciais e armazéns.

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Segundo Kiev, o momento é de avanços no campo de batalha. Ao longo de maio, a Ucrânia teria retomado mais território do que perdeu para a Rússia, interrompendo uma sequência de ganhos mensais das forças de Moscou. Segundo o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas, Oleksandr Syrskii, o resultado reflete uma estratégia voltada a sufocar a logística inimiga, com ataques cada vez mais frequentes a depósitos de combustível, munições e rotas de abastecimento.

Em publicação no Telegram, Syrskii afirmou que a diferença entre as áreas recuperadas e perdidas no mês passado foi de quase 100 quilômetros quadrados em favor da Ucrânia. O portal ucraniano Militarnyi, citando fontes militares, estimou ganhos líquidos ainda maiores, de cerca de 120 quilômetros quadrados.

Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), centro de pesquisa sediado em Washington que monitora o conflito, apontam na mesma direção. Segundo a organização, a Rússia perdeu o controle de aproximadamente 280 quilômetros quadrados em maio, enquanto avançou sobre cerca de 40 quilômetros quadrados de território ucraniano.

Segundo dados divulgados por Kiev, drones ucranianos de curto e médio alcance atingiram cerca de 180 mil alvos em maio, um aumento de 12,7% em relação ao mês anterior. O governo também afirma ter ampliado sua capacidade de interceptar drones Shahed lançados pela Rússia, apesar da escalada nos ataques.



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