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Brasil deve segurar aval a novo embaixador dos EUA


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve segurar o aval diplomático para o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil em meio à crise entre os dois países provocada pelo tarifaço.

O Palácio do Planalto e o Itamaraty pretendem fazer uma análise criteriosa, sem pressa e sem prazo da indicação do político republicano Daniel Perez.

Designado pelo presidente Donald Trump no começo de junho, ele é deputado estadual pela Flórida e muito próximo do secretário de Estado, Marco Rubio, que acusou Lula de ter colocado “o ego à frente” de um possível acordo comercial.

Perez foi sabatinado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, nesta quinta-feira, para ocupar o cargo vago em Brasília desde o início do governo Trump.

No entanto, falta uma resposta ao pedido de consentimento oficial (agrément) do governo brasileiro, que pode para depois das eleições deste ano.

O Palácio do Planalto vê uma tentativa de interferência dos Estados Unidos na disputa presidencial e o uso político da aplicação do tarifaço.

Os Estados Unidos estão sem embaixador em Brasília desde o fim do governo Joe Biden. Um ano e meio depois, Donald Trump tornou pública a indicação de Perez para o posto em 1º de junho.

O pedido de “agrément” ao governo Lula só foi enviado a Brasília duas semanas depois do anúncio oficial da indicação de Perez pela Casa Branca, o que é considerado incomum na diplomacia.

Fontes do governo Lula afirmam que é importante a presença de um embaixador americano no país, mas lembram que não há pressa para conceder o aval ao indicado, já que a própria gestão Trump levou dezoito meses para fazer a indicação.

Perez ainda precisa ser aprovado pelo Comitê de Relações Exteriores e pelo plenário do Senado Caso esse rito não seja concluído nas próximas duas semanas, a votação pode ficar para setembro, após o recesso parlamentar americano.

Na sabatina, o indicado de Trump citou organizações criminosas transnacionais que ameaçam comunidades americanas e a “crescente presença de potências externas competindo por influência na região”, sem mencionar a China.

Ele também chamou a atenção dos senadores para as “vastas reservas de minerais críticos” no Brasil.

Até o momento, não há ressalvas às declarações públicas de Perez. Ainda assim, a análise minuciosa sobre o indicado de Trump verificará posicionamentos anteriores, incluindo eventuais críticas a autoridades brasileiras.

A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, da qual Brasil e Estados Unidos são signatários, não estabelece prazo para a concessão do agrément. Por se tratar de uma formalidade diplomática, o consentimento pode ser dado em poucas semanas, levar meses ou simplesmente não ocorrer.

O tratado estabelece, no artigo 4º, que o país anfitrião pode aceitar ou rejeitar o indicado e não tem obrigação de justificar sua decisão.

Em agosto de 2025, por exemplo, o governo de Israel retirou a indicação do diplomata Gali Dagan para o posto de embaixador no Brasil. A consulta havia sido enviada em janeiro, mas, após oito meses, a gestão Lula ainda não havia sinalizado disposição para conceder o agrément.

Israel, portanto, segue sem embaixador no Brasil, e a relação diplomática entre os dois países permanece rebaixada. A tensão começou no início da guerra contra o Hamas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o que levou o presidente brasileiro a ser declarado persona non grata em Israel.

Com a crise diplomática, o Brasil retirou seu embaixador em 2024 e, até agora, não submeteu um novo nome ao governo israelense.



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