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Secretária da Agricultura de Trump defende tarifaço e lança novas críticas ao Brasil


A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, celebrou o novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump, criticando o Brasil nesta sexta-feira, 17, como um parceiro comercial que adota práticas “desleais”.

Em publicação nas redes sociais, Rollins afirmou que, “há anos, o Brasil coloca os agricultores e produtores americanos em desvantagem por meio de práticas comerciais desleais e desmatamento ilegal”.

“A tarifa desleal de 18% imposta pelo Brasil ao etanol americano reduziu as exportações de etanol dos EUA para o país em mais de 87% desde 2018. Esses dias estão chegando ao fim”, escreveu, agradecendo Trump por “garantir condições de concorrência justas”.

+ Chanceler de Lula rebate falas ‘inaceitáveis e ofensivas’ de Rubio sobre tarifas: ‘Arrogante’

O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira que passaria a aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras a partir de 22 de julho, após concluir uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

A tarifa foi justificada pela chamada Seção 301, alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. O representante americano de comércio, Jamieson Greer, afirmou que as negociações entre Brasil e Estados Unidos ao longo do último ano não resolveram as divergências.

As falas de Rollins se somam à disputa diplomática que já se apresenta entre os dois países. Na quinta-feira, em tom duro, o chanceler Mauro Vieira rebate as declarações que qualificou como “inaceitáveis e ofensivas” do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao anunciar a decisão de aplicar tarifas. O chefe da diplomacia de Donald Trump afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro”.

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“As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”, afirmou Vieira a repórteres.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, o posicionamento de seu homólogo americano não passa da um ataque “grosseiro e arrogante” contra um “chefe de Estado de um país amigo”, garantindo que Lula “se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”.

“Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou sua disposição de negociar qualquer tema”, disse ele.

Vieira acrescentou que as afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar são falsas. Ele caracterizou as acusações envolvendo o Pix, que autoridades americanas dizem impor desvantagens injustas a empresas de meios de pagamento dos Estados Unidos, como operadoras de cartão, como “descabidas”; as alegações sobre desmatamento, por sua vez, são “absurdas”, segundo o chanceler.

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“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato do Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam a capitulação”, disparou. “Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade.”

Ele reiterou que os Estados Unidos acumularam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações originárias do país entraram em território brasileiro sem pagar imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos que partem de lá para cá.

‘Priorizou o próprio ego’

Ao anunciar a decisão, Rubio afirmou que o presidente Lula “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro”. Em suas redes sociais, ele disse que a taxação é o preço que o Brasil paga pelo comportamento de seu mandatário e que o petista e seu governo “não negociaram com os Estados Unidos de boa fé”.

“Que não haja dúvidas sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa fé”, escreveu o secretário americano no X (ex-Twitter). “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso.”

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Vieira sustentou nesta quinta que o governo brasileiro participou ativamente nas investigações a respeito da suposta relação comercial “desigual”, tanto por canais diretos entre os governos como indiretos, desde a abertura do primeiro processo em 15 de julho de 2025. Segundo ele, foram apresentadas duas defesas escritas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), “demonstrando que as políticas e as práticas brasileiras investigadas são legítimas, não discriminatórias e não prejudicam o comércio” americano. Além disso, houve uma reunião com delegação de alto nível em Washington em abril de 2026.

“Somente com Jameson Grier e com Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre os presidentes. O Brasil está, portanto, negociando com os Estados Unidos desde antes do tarifaço original anunciado em 2 de abril de 2025”, disse o chanceler.

O governo Lula declarou que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável”, e abriu os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Auxiliar do bolsonarismo

Responsável pela diplomacia americana, Marco Rubio tem gosto especial pelo embate. Ele comanda a reformulação da política externa americana, marcada por tarifaços e ameaças bélicas destinadas à obtenção de vantagens econômicas e estratégicas, e uma de suas características é bater de frente com governos considerados hostis. Filho de imigrantes cubanos e ferrenho anticastrista, sua mira costuma recair sobre países comandados pela esquerda, em especial na “vizinhança” da América Latina, que, segundo ele, estaria sob influência cada vez maior da rival China.

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No caso específico do Brasil, o secretário de Estado, que é conhecido por manter uma quasi-amizade com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) há oito anos, não só tem um dedo no tarifaço 2.0, como, no ano passado, liderou uma represália ao programa Mais Médicos, que teve massiva participação de cubanos durante a gestão Dilma Rousseff. Como parte da ofensiva, a esposa e a filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que ocupava o mesmo cargo no mandato da petista, tiveram os vistos revogados.

Rubio também defendeu publicamente a aplicação da Magnitsky a Alexandre de Moraes, quando o governo americano foi acusado por Lula de tentar interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro: “Que seja um aviso para aqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus compatriotas — as togas judiciais não podem protegê-los”.



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