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Venezuela continua resgates entre alertas de escassez e doenças; EUA aceleraram ajuda


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Autoridades venezuelanas deram continuidade às operações de resgate nesta terça-feir, 30, após os dois terremotos da semana passada que deixaram pelo menos 1.700 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos, enquanto agências das Nações Unidas alertaram para a escassez de alimentos e o risco de doenças. Em paralelo, a comunidade internacional tenta acelerar a entrega de insumos e assistência humanitária à nação devastada.

A tragédia deixou um cenário de guerra na Venezuela, onde a população não esconde a revolta com o socorro lento e insuficiente do governo, em um país que enfrenta uma crise profunda.

A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, calcula que mais de 58 mil edifícios ficaram provavelmente danificados ou destruídos pelos terremotos. Enquanto diminuem as esperanças de encontrar vida sob os escombros após cinco dias do tremor, a ajuda humanitária está voltada para as milhares de pessoas que ficaram sem casa.

“Estamos dormindo no chão, eu estou dormindo no chão porque não tenho colchões”, disse à AFP Jenny Tortoza, uma mulher que passa as noites na rua em Catia La Mar, no estado de La Guaira.

Na região a 40 km de Caracas, a mais castigada pelo terremoto duplo, “a escassez de comida é generalizada, os serviços básicos entraram em colapso”, advertiu nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

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“As tensões comunitárias estão aumentando, já que o acesso à ajuda continua limitado”, acrescentou.

O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, também fez um alerta a respeito da “pressão extrema” sobre os serviços de saúde e o risco “de doenças evitáveis por vacinação, como o sarampo, a difteria e a coqueluche”.

Porto funcional

Os Estados Unidos colocaram novamente em funcionamento o porto de La Guaira nesta segunda-feira, 29, para assegurar a entrada de equipamentos e suprimentos destinados às operações de resgate e assistência às vítimas dos dois terremotos que assolaram a Venezuela na semana passada. 

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Um vídeo publicado pelo Comando Sul das forças americanas (SouthCom) mostrou fuzileiros navais desembarcando para participar dos esforços de assistência humanitária liderados pelo Departamento de Estado americano em apoio às autoridades venezuelanas.

Embora a janela considerada crítica de 72 horas para localizar sobreviventes tenha terminado no sábado, as buscas continuam. Além dos Estados Unidos, representantes de outros 26 países participam da resposta à tragédia.

Segundo o coordenador das Nações Unidas na Venezuela, Gianluca Rampolla, cerca de 40 equipes de busca e resgate, com mais de 2.000 profissionais e 160 cães farejadores, foram mobilizadas para atuar nas áreas atingidas.

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A tragédia ganhou novos contornos de preocupação após um novo tremor de magnitude 4,6 atingir a região na segunda-feira, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Em La Guaira, o governo militarizou a área e passou a exigir autorização para o acesso à zona do desastre.

Destruição

Os dois terremotos consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela com um intervalo de apenas 39 segundos na noite da última quarta-feira 24, provocando o desabamento milhares de edifícios em Caracas e muitas outras cidades.

Uma avaliação preliminar de dados de satélite publicada pela Nasa (agência espacial dos Estados Unidos) indicou que mais de 58 mil edifícios podem ter sido danificados ou destruídos pelos terremotos que abalaram o norte da Venezuela.

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O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou na segunda-feira que ao menos 855 infraestruturas apresentaram danos, das quais 189 sofreram “desabamento total”.

A ONU calcula cerca de 7 milhões de desabrigados e prejuízos materiais de US$ 6,7 bilhões (R$ 34,6 bilhões), valor equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.

Na semana passada, o Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros — um homem e uma mulher — na tragédia que assolou o país vizinho.



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