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Um novo relatório de cinco agências especializadas da Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que uma em cada três pessoas no mundo não tem condições de ter uma alimentação saudável. De acordo com o documento divulgado nesta terça-feira, 21, faltam recursos para ao menos 2,7 bilhões de indivíduos para manter uma dieta diversificada que atenda suas necessidades nutricionais. O texto alerta ainda que será necessário um esforço “imenso” para atingir a meta global de fome zero até 2030.
O relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026” calculou que o custo diário de uma dieta saudável é de US$ 4,28 em paridade do poder de compra (PPC). “A linha da pobreza extrema é de US$ 3 por pessoa (PPC). Portanto, o preço é significativamente mais alto”, disse Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um dos autores do relatório.
O especialista afirma que as políticas governamentais normalmente se concentram em cereais e alimentos básicos ricos em amido, em vez de carne, laticínios, frutas e verduras. “Isso significa calorias, mas não diversidade alimentar”, afirmou, destacando o impacto da política alimentar nos índices de obesidade e doenças como câncer e diabetes
O outro lado da moeda
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), outra agência das Nações Unidas responsável pelo relatório, mostram que a obesidade em adultos aumentou de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024. “É extremamente urgente”, declarou Torero. “A obesidade (entre adultos) está crescendo a um ritmo muito acelerado, então precisamos trabalhar intensamente para minimizar esses riscos e os custos ocultos que esse aumento da obesidade trará.”
Segundo ele, mais investimentos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento são necessários para minimizar o impacto da doença. A solução apresentada no relatório sugere que cadeias de suprimentos mais eficientes poderiam reduzir os custos da carne e dos laticínios, bem como das frutas e verduras. Novas políticas para incentivar um maior consumo de frutas e verduras também poderiam trazer benefícios, de acordo com Torero. Tais medidas reduziriam o impacto econômico dos problemas de saúde relacionados a dietas inadequadas.
A alimentação em números
Na África, 66,6% da população não tinha condições de ter uma alimentação saudável em 2025, mais que o dobro dos níveis observados na Ásia ou na América Latina e Caribe. Pela primeira vez, apontou o relatório, o continente africano responde pelo maior número de pessoas que passam fome no mundo, com cerca de 309 milhões de indivíduos, enquanto a Ásia fica logo atrás, com 292 milhões.
O economista-chefe da FAO indicou que o aumento é impulsionado principalmente pelo maior crescimento populacional no continente, uma vez que a proporção da população que passa fome está diminuindo “pela primeira vez em anos”. No entanto, Torero ressaltou que as restrições à navegação no Estreito de Ormuz, relacionadas ao conflito no Oriente Médio, provavelmente afetarão os números negativamente no próximo ano.

