InícioMundoTrump transforma celebrações da independência em palanque contra a esquerda

Trump transforma celebrações da independência em palanque contra a esquerda


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Com um discurso que remete aos tempos da Guerra Fria, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu as comemorações do feriado deste sãbado, 4, data da independência americana, em um evento realizado na noite anterior. Afirmou que o país enfrenta uma nova “ameaça comunista” e classificou seus defensores como “inimigos de 4 de Julho de 1776”. A fala ocorreu diante do Memorial Nacional do Monte Rushmore, na Dakota do Sul, monumento em granito inaugurado em 1941 que reúne esculturas de 18 metros de altura dos presidentes George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln.

Recebido por apoiadores aos gritos de “USA! USA!” e sob um sobrevoo de caças F-16, Trump exaltou os quatro presidentes retratados e afirmou que o país precisa recuperar sua identidade nacional. “Vamos devolver ao nosso país a sua identidade”, disse, ao condenar o que chamou de tentativas de reescrever a história americana e enfraquecer o patriotismo. O tom tradicionalmente conciliador das celebrações da Independência logo foi deixado de lado para dar espaço a um discurso explicitamente político. A poucos meses das eleições legislativas de novembro, Trump voltou a associar a ala progressista do Partido Democrata ao comunismo, estratégia que vem adotando para mobilizar sua base eleitoral.

A fala ocorreu poucas horas depois de o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, um socialista democrático, fazer um discurso em defesa da imigração e de políticas progressistas, interpretado nos Estados Unidos como uma resposta ao movimento “Make America Great Again”. Nas últimas semanas, candidatos progressistas — entre eles três socialistas democráticos — conquistaram vitórias em eleições primárias democratas em estados como Nova York, Colorado, Kentucky, Nova Jersey, Ohio, Pensilvânia e Texas, fortalecendo a ala mais à esquerda do partido.

Trump também relacionou o tema do comunismo à sua política anti-imigração. Segundo ele, parte dos recém-chegados ao país abraça ideias incompatíveis com os valores americanos. Em um dos trechos mais duros do discurso, afirmou que o comunismo representa uma ameaça maior à liberdade dos Estados Unidos do que as duas guerras mundiais e os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. “É o inimigo da Constituição. Acima de tudo, é o inimigo de 4 de Julho de 1776”, declarou.

A escolha do Dia da Independência e do Monte Rushmore, dois dos principais símbolos do patriotismo americano, deu ao discurso um peso político ainda maior. Ao recorrer à retórica anticomunista e vinculá-la ao debate sobre imigração e à disputa com a ala progressista do Partido Democrata, Trump reforçou temas que vêm ocupando o centro de sua agenda política desde o início do mandato e que devem permanecer em evidência na campanha para as eleições legislativas deste ano.



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