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O sistema de internet via satélite Starlink, uma das muitas empresas de Elon Musk, virou alvo preferencial dos russos na guerra contra a Ucrânia. Para combater drones ucranianos de médio alcance — que, nos últimos meses, não param de invadir o espaço aéreo do paíse e criam caos –, as forças da Rússia passaram a instalar sistemas potentes de interferência, conhecidos como dispositivos de jamming, para sabotar a rede de satélites que ajuda a operar os veículos aéreos não tripulados.
As informações são da agência de notícias Reuters, que conversou com quatro comandantes e pilotos de drones ucranianos para uma reportagem publicada nesta quarta-feira, 8.
A maioria das missões de médio alcance das forças da Ucrânia é realizada via Starlink, que permite que o piloto se comunique remotamente com o drone e, até então, era um sistema considerado amplamente imune a interferências. No entanto, Moscou usa dispositivos sofisticados de interferência eletrônica capazes de bloquear as conexões dos satélites de Musk, instalados perto de cidades e instalações militares próximas aos territórios ucranianos que os russos ocupam.
Serhii Beskrestnov, consultor do Ministério da Defesa da Ucrânia, afirmou o sistema de interferência chamado “Volna Kupol Garant” emite um sinal forte o suficiente para desestabilizar a rede ligada à empresa espacial SpaceX, em uma área de 20 quilômetros quadrados. Ele acrescentou que cerca de dez desses sistemas foram detectados até o momento.
Guerra dos drones
O desenvolvimento, por parte de Kiev, de drones de médio alcance — capazes de atingir alvos a dezenas de quilômetros de distância das linhas de frente com precisão e baixo custo — transformou a guerra na Ucrânia. Em uma campanha coordenada de ataques ao longo deste ano, as forças ucranianas atingiram linhas de suprimento, instalações de armazenamento de combustível, sistemas de defesa aérea e centros de comando, prejudicando a logística das forças russas e causando escassez de combustível na Crimeia, península ocupada por Moscou desde 2014.
Enquanto isso, Musk bloqueou o acesso das forças russas ao Starlink para impedir que Moscou utilizasse os satélites em seus próprios ataques com drones. Em desvantagem no setor, além da sabotagem contra o sistema, soldados da Rússia também protegem combustível e outros suprimentos escondendo as cargas em veículos civis: caminhões de leite que transportam diesel, caminhões pipa que levam gasolina, quadriciclos com munição e provisões para a linha de frente.
Em paralelo, o sistema de interferência Volna Kupol Garant virou alvo para os ucranianos. O 422ºRegimento de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, que fica no sul de Zaporizhzhia, participou de operações para atingir dois desses equipamentos — incluindo um que foi destruído poucas horas após ser detectado, em uma missão conjunta com o serviço de segurança SBU. Após um drone explodir o dispositivo, “nossos drones equipados com Starlink voltaram a voar sem problemas”, contou à Reuters um comandante de codinome Dyryhent.
“Se os russos ampliarem a produção dos bloqueadores de sinal, poderão dificultar a realização da campanha de ataques de médio alcance”, alerta Rob Lee, pesquisador do Foreign Policy Research Institute, think tank sediado nos Estados Unidos.

