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Rússia está em desvantagem e dinâmica da guerra muda a favor da Ucrânia, diz UE


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A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta quinta-feira, 28, que “a dinâmica da guerra está mudando a favor da Ucrânia” durante uma coletiva de imprensa após uma reunião informal no Chipre entre os chanceleres do bloco, que discutiram o que eles devem exigir da Rússia em potenciais negociações para encerrar a guerra.

“A Rússia está em desvantagem militar, econômica e também diplomaticamente”, declarou ela. “Mas, como os últimos ataques a Kiev demonstraram, os russos ainda não mostram nenhum interesse genuíno na paz, o que também foi a clara opinião dos ministros hoje”, completou, referindo-se a disparos massivos no último final de semana, inclusive com mísseis hipersônicos.

Na véspera, a espionagem britânica revelou que aproximadamente 500 mil russos morreram desde o início do conflito, em fevereiro de 2022, mais do que estimado anteriormente. As baixas refletem a estratégia de Moscou de manter pressão constante sobre a região de Donbas, no leste da Ucrânia, prioridade militar estabelecida por Vladimir Putin desde os primeiros meses da guerra. A avaliação de agências de inteligência ocidentais é que a Rússia continua avançando na região, mas em ritmo muito mais lento e a um custo humano cada vez mais elevado.

Autoridades dos Estados Unidos calculam que a Rússia tenha sofrido cerca de 30 mil baixas apenas em abril. Segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, entre 15 mil e 20 mil desses militares morreram — os outros estariam feridos ou desaparecidos. O objetivo de Kiev tem sido justamente elevar as perdas do inimigo para que o Kremlin não consiga repor suas fileiras, numa tentativa de desacelerar o avanço das tropas de Putin em regiões estratégicas de Donbas.

A Europa e a guerra

Kallas afirmou que os ministros das Relações Exteriores tiveram “uma discussão realmente completa” sobre o que nações europeias devem exigir de Moscou em quaisquer negociações potenciais, como a imposição de limites às Forças Armadas russas — uma ideia que o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, já descreveu como “idiota”. Além disso, ela negou pretensões europeias de substituir os Estados Unidos como mediadores do conflito.

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“A Europa nunca será uma mediadora neutra entre a Rússia e a Ucrânia, porque estamos do lado da Ucrânia e defendemos nossos próprios interesses fundamentais de segurança”, destacou.

+ Rússia inicia maior exercício nuclear desde o fim da Guerra Fria

A diplomata também defendeu um cessar-fogo incondicional como “pré-requisito para qualquer tipo de negociação de paz”, e demandou que a Rússia cesse “as operações de sabotagem, os ataques cibernéticos, a interferência eleitoral e as violações do espaço aéreo em toda a Europa”. Por fim, sublinhou que a comunidade internacional não pode aceitar que Putin anexe áreas da Ucrânia.

Kallas concluiu fazendo uma autocrítica à União Europeia, afirmando que o bloco “deve usar sua influência de forma mais eficaz no que diz respeito a comércio, investimento, acesso a mercados e parcerias” para interromper negócios com nações que mantêm relações comerciais com Moscou ao mesmo tempo que desfrutam do acesso aos mercados e investimentos europeus. Segundo ela, já há uma nova rodada de sanções contra a Rússia em planejamento.

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Apelos de Zelensky

Na véspera, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez um apelo duplo ao seu homólogo americano, Donald Trump, e ao Congresso dos Estados Unidos por mais munições de defesa aérea, incluindo mísseis Patriot, após a Rússia ter bombardeado seu país com ondas de mísseis balísticos.

O líder ucraniano disse que os projéteis russos representam a “última grande vantagem de Vladimir Putin no campo de batalha” e que neutralizá-los forçaria o líder russo a negociar. No último domingo 24, a Rússia usou trinta mísseis balísticos contra a Ucrânia e apenas onze deles foram abatidos, segundo a Força Aérea do país. Zelensky também afirmou que as forças russas lançaram dois mísseis Oreshnik, que têm capacidade nuclear.

“Enquanto Putin ainda tiver uma única vantagem significativa em armas convencionais, ele evitará a diplomacia convencional. Hoje, seus mísseis balísticos continuam sendo exatamente isso – sua última grande vantagem no campo de batalha”, escreveu Zelensky na carta a Trump e ao Congresso americano, acrescentando que o ritmo atual de entregas de equipamentos bélicos “não está mais acompanhando a realidade da ameaça que enfrentamos”.



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