A Rússia acusou a Ucrânia de “terrorismo” nesta terça-feira, 14, após uma escalada de ataques contra embarcações no Mar de Azov, corredor estratégico para as exportações de grãos do país. Enquanto Moscou afirma que Kiev mira navios civis, o governo ucraniano sustenta que ataca apenas alvos ligados ao esforço de guerra do Kremlin.
Segundo o comandante das forças de drones de Kiev, Robert Brovdi, aeronaves atingiram 11 embarcações russas durante a madrugada — cinco navios-tanque, cinco cargueiros e um rebocador –, elevando o número total de embarcações atingidas nos últimos nove dias para 116.
O governo russo não confirmou o balanço. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, no entanto, acusou a Ucrânia de terrorismo.
“O que o regime ucraniano está fazendo vai além da pirataria. Os piratas pelo menos, saqueiam e ficam com os despojos para si”, afirmou. “O objetivo é simplesmente causar danos e intimidar (…) é terrorismo”, completou Lavrov.
Uma fonte militar ucraniana ouvida pela agência de notícias Reuters rejeitou a acusação. Segundo ela, as Forças Armadas do país têm como alvo exclusivamente instalações militares e embarcações que contribuam para a capacidade de combate da Rússia. De acordo com a autoridade, Moscou tenta usar as denúncias de ataques contra navios civis para justificar os bombardeios contra infraestrutura civil ucraniana.
Produção agrícola russa
O Mar de Azov é uma das principais rotas de escoamento da produção agrícola russa. A região concentra cerca de um quarto das exportações de grãos do país, maior exportador mundial de trigo.
Fontes do setor ouvidas pela Reuters afirmaram que a navegação segue restrita desde 10 de julho. Embarcações comerciais não estariam conseguindo entrar ou sair do Mar de Azov pelo Estreito de Kerch nem pelo canal Azov-Don, que conecta o mar ao rio Don.
Embora o Ministério dos Transportes da Rússia não tenha confirmado oficialmente as restrições, o Ministério da Agricultura admitiu que poderá redirecionar as exportações para outras rotas caso a situação persista.
A União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos afirmou que a Rússia cumprirá integralmente seus compromissos de exportação de grãos para parceiros estrangeiros, apesar da situação no Mar de Azov.
Os ataques fazem parte da estratégia ucraniana de atingir a infraestrutura logística e energética russa. Nos últimos meses, Kiev intensificou ofensivas contra refinarias, depósitos de combustível, portos e instalações militares, provocando interrupções no abastecimento e nas exportações russas.

