O candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, criticou nesta quarta-feira (22) a fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a embaixadores sobre as urnas eletrônicas e disse que o parlamentar faz o Brasil “passar vergonha internacionalmente”.
“Qual a imagem que a gente passa para o mundo? O candidato que ainda está em segundo colocado nas pesquisas, falando que a urna não funciona. O mundo trata o sistema eleitoral brasileiro como um sistema não só funcional, mas democrático e um sistema que pode ser de inspiração para outros lugares que têm eleições mais lentas”, disse Renan em vídeo divulgado pela campanha.
“Flávio Bolsonaro, mais uma vez, nos fazendo passar vergonha internacionalmente”, complementou.
Renan afirmou que o encontro deveria ter sido utilizado para apresentar propostas e demonstrar capacidade de diálogo com outros países. De acordo com Renan, embora o sistema eleitoral possa ser permanentemente aperfeiçoado, ele é reconhecido internacionalmente por sua rapidez e pelo funcionamento democrático. Renan ainda levantou dúvidas sobre a estratégia adotada pelo adversário e afirmou que Flávio pode estar prejudicando a própria candidatura.
“Será que ele quer tirar a candidatura dele? Será que, no fundo, ele está se autossabotando, imaginando que tem outros problemas que podem levar a não ganhar a eleição?”, questionou.
Entenda
Na reunião realizada na terça-feira (21), Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012, conforme relatório da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos.
A declaração de Flávio já foi desmentida diversas vezes pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Em 2020, a Corte esclareceu que as urnas usadas nas eleições brasileiras não são produzidas pela venezuelana Smartmatic. “Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, diz nota da Justiça Eleitoral divulgada na época.
Após as repercussões negativas, a campanha de Flávio disse nesta quarta que não questionou a integridade do sistema eleitoral brasileiro aos diplomatas. No encontro, o senador também pediu que os embaixadores enviassem “o máximo de observadores possíveis” para acompanhar as eleições de outubro deste ano.
“O pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela Cia, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas”, disse a campanha.
“Afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas, pois contribuem para o “aperfeiçoameto do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições”, prosseguiu.

