“Nem o tempo amigo
Nem a força bruta
Pode um sonho apagar
Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo”
Beto Guedes, Canção de um novo mundo
“Não temos como salvar a todos. Mas isso não significa que não possamos tentar. Às vezes uma ilusão útil é melhor que uma verdade inútil. Nada vai crescer nesse frio inclemente, mas ainda assim podemos ter flores”
Colson Whitehead, Underground Railroad
Uma crise de futuridade
A crise de futuridade pode ser definida como o medo, a ansiedade ou a paralisia que nos atinge quando nos sentimos impossibilitados de visualizar um futuro positivo, melhor ou mais seguro. Vamos fazer um exercício de simulação: imaginem que nós nos dirigimos a uma via pública, uma rua ou uma praça pública qualquer e perguntamos o seguinte para os pedestres: “Você acredita que o futuro será melhor do que o presente?”. O mais provável é que a maioria das pessoas nos responda que não. Isso nem sempre foi assim. Ao contrário, as gerações exatamente anteriores às nossas — nossos avós, tataravós e assim por diante — estiveram entre as gerações que mais encontraram esperança no futuro em toda a história da humanidade[1].
PARTE I
Breve expedição ao passado
A revolução industrial foi um fenômeno social de impacto global sem precedentes na história da humanidade e, por essa razão, pode ser analisada de diversos ângulos. Um deles é o seu impacto no imaginário social da época. Imaginemos por um momento o abalo da expansão ferroviária no século XIX, inicialmente na Europa, mas depois em grande parte do mundo. Centenas de milhares de pessoas passaram a poder se deslocar a uma velocidade antes inimaginável. Uma viagem de Paris até Moscou que demorava aproximadamente três semanas, em três décadas, passou a durar dois dias. Em decorrência disso, a circulação de mercadorias manufaturadas e alimentos sofreu uma alteração sem precedentes, gerando o deslocamento de milhões de camponeses em todo o continente. No espaço de uma geração, viajar ao redor do mundo passou de uma aventura quase inconcebível a uma possibilidade concreta retratada por Júlio Verne no clássico “A Volta ao Mundo em 80 Dias”[2].
O desenvolvimento da grande indústria desencadeou a construção de um novo protagonista na cena da história, a classe operária industrial. Nunca antes na história da humanidade tanta gente se concentrou como no Reino Unido, em Berlim ou em Petrogrado quanto naquele momento. Quase de repente, grandes metrópoles passam a se multiplicar pelo mundo.
Na mesma época são criados os avós dos telefones, os telégrafos, que inauguram a era da comunicação (quase) imediata de longa distância. A informação sobre o resultado de uma eleição, de uma batalha em uma guerra, de um jogo de futebol, ou mesmo o nascimento ou morte de um parente que antes seria recebida em dias ou semanas, passa a ocorrer em minutos. Os primeiros aviões começam a levantar voos e a humanidade começa a sua conquista aos céus. Carros começam a ser produzidos em cada vez maior número, o uso da eletricidade avança ano após ano. Essa revolução tecnológica provoca uma contração no espaço tempo espetacular, tudo é cada vez mais rápido, tudo evolui de forma permanentemente.
Esse fenômeno mundial não se desenvolveu somente no campo energético e das comunicações. Outras áreas do conhecimento também viveram saltos de qualidade. No século XIX, Pasteur prova que os microrganismos causavam doenças, permitindo assim o desenvolvimento de vacinas. Os métodos de antissepsia passam a ser usados em cirurgias. Os avanços nas ciências biomédicas produziram um aumento na expectativa de vida da humanidade, ainda que com muita desigualdade racial, de classe e regional, inédito e avassalador. Só em um caldo cultural como esse a visionária escritora Mary Shelley poderia imaginar a primeira obra de ficção científica da história e a batizar de O Prometeu Moderno (O Frankenstein)[3], na qual, a partir da tecnologia e da eletricidade um médico consegue dar vida a uma criatura feita de pedaços de corpos humanos.
Mas os grandes acontecimentos dos séculos passados não ficaram restritos à engenharia, às biociências e à física. Houve também uma contração no espaço tempo político e social com impacto incalculável na história. A Revolução Francesa e a Revolução Haitiana moveram as placas tectônicas geopolíticas do mundo e agitaram a imaginação popular com a poderosa ideia de que era possível derrotar a monarquia, a colonização e a escravidão. Em 1871, a Comuna de Paris mostrou que a burguesia e a monarquia, mesmo juntas, podiam ser desafiadas. Em 1917, a classe operária russa prova que essa aliança pode ser derrotada definitivamente e cria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
É evidente que esse momento não foi um mar de rosas — pelo contrário, foi durante esse período que testemunhamos algumas das maiores tragédias causadas pela humanidade. Fizeram parte dele a violência e os genocídios promovidos pelos colonizadores na África, na Ásia e na América Latina. Também surgiram os camisas negras fascistas liderados por Mussolini e a Gestapo comandada por Hitler. Seu plano de supremacia econômica, geopolítica e racial — responsável, em poucos anos, pela morte de milhões de pessoas – foi um projeto que reproduziu em solo europeu o terror colonialista que as nações da Europa desenvolveram nos séculos anteriores à Segunda Guerra Mundial[4].
Anos depois, o Exército Vermelho marcha sobre Roma e Berlim derrotando de forma definitiva o nazifascismo clássico. Em 1949 o campesinato Chinês edifica a República Popular da China. Em 1959 a ilha rebelde Cubana desafia o império “debaixo do nariz” dos yankees e constroem o socialismo latino americano. Em 1962 os argelinos derrotam os franceses e constroem sua independência. Em 1975, os vietnamitas despacham os americanos de volta para casa depois de quase cem anos de resistência à opressão colonial. Ao final da década de 1960 mais de um terço da população mundial vive sob regimes socialistas. Em 1979, foi a vez dos iranianos derrotarem a monarquia subserviente aos americanos e construírem uma nação soberana. Ainda podemos falar das revoluções anticoloniais em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde e seu impulso à Revolução dos Cravos portuguesa e queda de Salazar. O maio de 1968 e a Revolução Sexual talvez tenham sido o último impulso do século que acreditou no futuro.
Não se trata de idealizar o passado ou imaginar que as antigas gerações acreditassem que o caminho para um futuro melhor seria calmo e tranquilo. Sabiam que seria tortuoso, trágico, atravessado por sacrifícios, guerras e miséria. Mas havia um imaginário comum, que de alguma forma, ligava a ideia de futuro com a ideia de progresso[5].
PARTE II
Não existe alternativa
Toda essa epopeia popular que a humanidade atravessou nos últimos séculos vive um momento de profunda depressão. O ímpeto transformador que gerou essa aventura aparenta estar temporariamente bloqueado. Isso, no entanto, não ocorreu por acaso, foi fruto das derrotas dos projetos políticos escolhidos por parte das lideranças da classe trabalhadora no seu exercício de poder, em conjunto com o sucesso de um projeto político arquitetado pela classe dominante.
No final da década de 1970, a burguesia lançou uma ofensiva política ideológica com o objetivo de conquista hegemônica: o projeto neoliberal. Esse projeto foi capitaneado por Margaret Tatcher no Reino Unido e Ronald Reagan nos Estados Unidos da América, que ocupavam as duas cadeiras de maior poder político no mundo da época.
O neoliberalismo e a ordem que ele consolidou são objetos de estudos profundos e de debates apaixonados pela sua abrangência política, econômica e ideológica. Um dos grandes consensos sobre o tema é que a palavra de ordem de Thatcher: There is no Alternative (não há alternativa) sintetiza perfeitamente os objetivos desse projeto. Essa lógica servia para justificar que as privatizações, a retirada de direitos já conquistados por parte dos trabalhadores e a proibição de sua ampliação, a repressão, o conservadorismo não eram uma escolha, mas a única opção de futuro possível.
O colapso da URSS em 1991 coroa essa perspectiva, consolida a hegemonia neoliberal e nos venda os olhos para que não possamos mais vislumbrar o futuro. Agora, a época da aventura das massas populares estaria acabada, nós não poderíamos mais pegar o leme da história em nossas mãos, afinal, a história em si, havia acabado. As classes populares estariam agora condenadas a, na melhor das hipóteses, escolher de tempos em tempos quem deveria administrar a vida precária que o capitalismo nos havia imposto. Passamos a viver então, na era do realismo capitalista, não havia mais alternativa[6].
Evidentemente esse período não ocorreu sem resistência. A América Latina, por exemplo, foi palco de revoluções contra o neoliberalismo na Bolívia, no Equador e da Revolução Bolivariana liderada por Hugo Chávez na Venezuela. A esquerda latino americana derrotou a ALCA[7] e Cuba se manteve de pé. A chamada Onda Rosa elegeu presidentes de esquerda no Brasil, Equador, Bolívia, Paraguai e vários outros países. Mas por mais heróico que tenha sido esse processo, se tratava de uma contra tendência no cenário internacional.
Grandes demais para quebrar
A crise de 2008 colocou alguns pilares do neoliberalismo em xeque. As grandes potências mundiais injetaram quantias inimagináveis de dinheiro público em algumas das instituições financeiras mais ricas do mundo para evitar que elas quebrassem, ainda que fossem elas as principais responsáveis pela crise em si. A hipocrisia do “Laissez-faire”, a não interferência do estado na economia, foi descaradamente exposta perante todo o mundo.
A injeção de trilhões de euros e dólares no rentismo gerou uma subsequente reação de austeridade. Ora, se os estados nacionais mais ricos do mundo haviam se endividado doando dinheiro para as pessoas mais ricas do mundo, agora, na Europa, nos EUA e em todo o mundo, a solução seria “economizar” retirando ou impedindo que fossem implementados direitos básicos da classe trabalhadora como aposentadoria, educação, saúde, saneamento básico, segurança alimentar, auxílios desempregos etc.
A luta contra esses planos de austeridade foi a responsável pela última grande onda de mobilizações a que o mundo assistiu. A primavera árabe, as jornadas de junho de 2013, às lutas da juventude grega e espanhola entre tantas outras, nos permitiram, ainda que por alguns instantes, enxergar no horizonte o nosso futuro[9].
Essa crise econômica acelera a germinação de diversas outras crises, dentre elas a crise climática, a crise do sistema mundial de estados e a crise do sistema político. Paulatinamente, a ideia de um não-futuro, da estagnação precária neoliberal, passa a dar lugar a ideia de um futuro cada vez mais apocalíptico. Os filmes com a temática do “fim do mundo” pela proliferação de zumbis, de um vírus ou de radiação já existiam há décadas, mas nunca foram tão consumidos, generalizados e até mesmo de certa forma reificados como nos últimos quinze anos. Não é à toa que ao abrir um streaming atualmente podemos ficar com a impressão que só existe esse gênero. O mundo está ruim e só pode piorar.
O surgimento de uma alternativa catastrófica
A mais importante consequência dessa crise foi o surgimento de uma nova espécime política, um monstro, que após alguns anos de intenso debate entre a esquerda, recebeu o nome de neofacismo. Mobilizando ideias de violência, limpeza étnica, ódio e ressentimento, na última década se tornou a mais dinâmica força política no mundo. A eleição de Trump em 2016 e a campanha xenofóbica do Brexit na Inglaterra são um marco político de inauguração de uma nova era[10], que altera paradigmas, reorganiza o cenário geopolítico, reposiciona nosso arco de alianças, atualiza nossa estratégia e subordina nossas movimentações táticas[11].
O surgimento e consolidação do neofacismo, portanto, não é uma casualidade. Hoje é o movimento político, em escala internacional, que melhor se posicionou frente a crise da governamentalidade neoliberal[12]. A partir do desgaste dos governos da direita tradicional e dos limites dos governos de esquerda, que raras vezes conseguiram se posicionar como alternativas de fôlego à lógica neoliberal (quando não sucumbiram à mesma), o neofacismo se apresenta como uma promessa de mobilização e de pertencimento. Apresenta uma missão e um propósito de vida para sua base social, agita sua política e, quando pode, aplica o seu programa. O futuro que defendem é metafísico, escatológico e cruel. Mas eles tem um plano e vem o aplicando de forma resoluta e, com isso, ganham terreno.
Esse texto não advoga pela ideia de que o cancelamento do futuro é um destino irrevogável ou que estamos diante de um fim natural da experiência das sociedades humanas. Portanto, afirmamos, não estamos diante de um fim inevitável de ordem neofascista ou um cataclismo iminente. Ao contrário, nosso texto tem como objetivo afirmar que o cancelamento do futuro é um projeto político ideológico elaborado teoricamente ao longo de décadas, testado na prática em diferentes países e, momentaneamente, vitorioso[13]. E é exatamente por isso, que ele pode ser derrotado.
PARTE III
Reconquistar o futuro, construir a alternativa
Contra a mentalidade individualista orientada para o presente e para a imediatez do consumo, a esquerda deve cultivar uma mentalidade coletiva orientada para o futuro. Há no presente, por mais que a ideologia neoliberal e a ameaça neofascista trabalhem todos os dias para desviar nossos olhares, inscrições de um futuro potencial muito melhor do que o presente. Em certo sentido precisamos premeditar o futuro, enxergá-lo e construí-lo mesmo antes de ele existir[14].
No desenvolvimento tecnológico orientado pelo lucro acima da vida, o capitalismo só nos permite ver no aprimoramento da Inteligência Artificial ou da robótica o desemprego em massa. No entanto, existe ali, por baixo de toda essa camada ideológica a possibilidade da redução da jornada de trabalho. Isso quer dizer que a humanidade pode ter mais tempo para alimentar a sua alma, para ter, como dizia um velho construtor de futuros, também o direito à poesia.
Apesar do futuro ser objeto de debates apaixonados e obras de arte épicas, ele não existe de fato, ele existe em potencial. O nosso papel é encontrar embaixo do véu catastrófico que o capitalismo tardio demais colocou em nosso horizonte quais são os caminhos, com quais valores, com qual programa e com qual passado podemos fundar outro futuro.
A memória das experiências socialistas do passado, por sua vez, não pode ser tratada como uma bela peça de museu do século passado, nem como parte dos regimes de horror nazifascistas produzidos no século XX como apregoa a lógica neoliberal. Ao contrário, se bem trabalhadas, lapidadas, criticadas, elas podem ser partes constitutivas do futuro socialista que queremos. Parte de nossa crise de futuridade é produto da crise de nossa memória histórica.
Nessa jornada, precisaremos encontrar quem são os sujeitos sociais e políticos que serão os arquitetos e operários desse novo mundo. Parte desses sujeitos nós já conhecemos: são os movimentos sociais que resistem à fome, à falta de moradia, ao envenenamento de nossa comida, à destruição da natureza. Em resumo, são as organizações contra o capitalismo em sentido amplo.
Mas para vencer o capitalismo é indispensável a preparação estratégica. É necessária uma compreensão flexível da realidade, negando tanto a rigidez de tentar forçar os eventos a se encaixarem em previsões dogmáticas quanto o desejo espontaneísta que vulnerabiliza os nossos objetivos estratégicos.
Para isso, a organização leninista, fundamentada no centralismo democrático, deve operar como uma ferramenta de inteligência coletiva e concentração de esforços. A democracia interna é um componente determinante dessa engrenagem, não por ser a representação do indivíduo na organização, mas sim por impulsionar a colaboração de múltiplas mentes, permitindo que o pensamento conjunto se traduza em ação eficaz e adaptável às complexidades do cenário atual. A organização política é também uma memória coletiva que pode nos ajudar a navegar levando consigo as lições do passado e do presente[15].
Para vencer a classe dominante em uma época no qual o culto à experiência pessoal individual, a opinião sem embasamento e a negação dos registros simbólicos prevalecem, a teoria mais do que nunca pode ser uma ferramenta libertadora. Em um momento de ampliação da precariedade e do sofrimento das vidas humanas, ter ferramentas que nos permitam analisar escalas diferentes, para que possamos enxergar para além do que está imediatamente presente em nossa experiência concreta é determinante para uma ação política eficaz.
A teoria pode nos ajudar a nos libertar da ideia de que todas as dificuldades de nossa vida estão contidas em nós mesmos. Dessa forma podemos, por exemplo, relacionar a epidemia e adoecimento mental que presenciamos em nossa vida cotidiana, com a realidade mais ampla e sistêmica da precariedade do mundo do trabalho[16]. Ao mesmo tempo, ela pode nos ajudar a enxergar quem são os responsáveis e quem sai beneficiado pela mesma.
E essa precariedade é a responsável por exacerbar um dilema que acompanha os revolucionários há séculos: a relação entre as demandas concretas e urgentes das classes populares e a luta pela construção de outra sociedade. O “cancelamento do futuro” tornou o tema ainda mais dramático, uma vez que gerou dois tipos de reações em nosso campo de atuação que estão entrelaçadas. De um lado, o conformismo de que a época da aventura revolucionária humana chegou ao fim, portanto nos restaria administrar a atual ordem das coisas da melhor forma possível e, o outro lado dessa mesma moeda, a melancólica declaração do socialismo de imediato, sem a apresentação de um caminho concreto ao qual devemos seguir para efetivamente alcançá-lo.
Aqui insistimos na conexão dialética entre as pautas econômicas e a construção de outra sociedade; a necessidade de matar a fome e a necessidade de alimentar a alma; a conquista de ganhos materiais e a consolidação de ideias emancipadoras. Para nós uma luta vitoriosa por moradia é de extrema importância, mas quando ela vem acompanhada da conclusão, por parte de seus protagonistas, de que ela só foi possível pela força de sua mobilização, ela é qualitativamente superior.
Isso é parte determinante da luta por hegemonia contra o neofacismo que atravessa todos os campos da sociabilidade humana. Já que hoje ele disputa centímetro a centímetro a consciência da classe trabalhadora: apregoa o individualismo, a violência, a falta de caráter e a desonestidade. Glorifica a mitomania e a transforma em qualidades necessárias para “prosperar”.
A defesa dos valores humanos da coletividade contra o individualismo, da solidariedade contra o egoísmo, da honestidade contra a mentira utilitária, do sacrifício em nome do outro contra o hiperindividualismo são componentes indispensáveis da nossa vitória.
A luta por hegemonia social, no entanto, não pode ser bem sucedida se restrita ao campo cultural. Para vencer a guerra na qual estamos implicados, é preciso a conquista do poder político e seu consequente exercício orientado pelos interesses da hegemonia da classe trabalhadora e dos valores socialistas. Ou seja, a construção de uma sociedade na qual os meios de produção sejam socializados, livre de opressão e exploração, na qual as pessoas possam usufruir de sua vida plenamente.
Para que as próximas gerações voltem a desejar o futuro[17]!
Notas:
1. Franco Berardi, “Depois do Futuro”
2. AAron Bastani, “Comunismo de Luxo Totalmente Automatizado”
3. Prometeu era um Titã da mitologia grega que teria sido responsável pela criação da humanidade e de outros seres vivos a partir do barro.
4. Achile Mbembe, Necropolítica.
5. O termo “progresso” apesar de controverso e objeto de críticas bem fundamentadas a respeito de sua origem, significado e impacto político, foi usado no texto propositalmente pela disseminação do termo no imaginário social do século XX.
6. Mark Fisher, “Realismo Capitalista”
7. A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) foi uma proposta, liderada pelos EUA que visava criar uma zona de livre comércio entre os países do continente americano, com exceção de Cuba. Seu principal objetivo era ampliar o controle político e econômico americano na região. Contudo, devido a oposição de nações sul-americanas como a Venezuela e o Brasil, o projeto não avançou e foi descontinuado no início dos anos 2000
8. “Too Big To Fail” (Grande Demais para Falir) refere-se a instituições financeiras tão grandes e interconectadas com a economia que sua falência poderia desencadear uma crise sistêmica generalizada. Popularizado durante a crise financeira de 2008, o conceito implicou que governos e bancos centrais seriam forçados a resgatar essas instituições para evitar um colapso econômico maior, mesmo que isso significasse usar dinheiro público.
9. Vincent Bevins, “A Década da Revolução Perdida”
10. Para Eric Hobsbawm o conceito de Era significava um “momento histórico”, com certa coesão e que é caracterizado por uma lógica interna dominante, não se confundindo com um evento de maior ou menor duração temporal.
11. Jean Montezuma e Henrique Iglecio, “A Era do Neofacismo: um desafio global”
12. Pierre Dardot e Cristhian Laval, “A Nova Razão do Mundo”
13. Mark Fisher, “Fantasmas da minha vida”
14. Olúfémi O. Taíwò, “Captura”
15. Anna Kornbluh, “Imediatez ou o estilo capitalismo tardio demais”
16. Anna Kornbluh, “Imediatez ou o estilo capitalismo tardio demais”

