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Procurado, Evo Morales diz que não vai se entregar e alerta para guerra civil na Bolívia


O ex-presidente da Bolívia Evo Morales afirmou que não pretende se entregar à Justiça e alertou para o risco de uma guerra civil no país caso haja uma tentativa de sua prisão. Em entrevista à agência de notícias AFP, o líder político, atualmente refugiado na região do Chapare, disse que “não vai se render” e rejeitou qualquer negociação que envolva sua detenção.

Alvo de um mandado de prisão, Morales está escondido em Lauca Eñe, uma localidade isolada no departamento de Cochabamba, seu reduto político. O acesso à região é controlado por postos de vigilância e por apoiadores do ex-presidente, alguns deles armados, que fazem a segurança do local.

O embate ocorre em meio a uma das maiores crises políticas recentes da Bolívia. O governo do presidente Rodrigo Paz acusa Morales de incitar protestos e bloqueios que afetaram o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões do país nas últimas semanas.

Em resposta à crise, o governo decretou estado de emergência e autorizou a mobilização das Forças Armadas para conter distúrbios. Paz, que encerrou um ciclo de duas décadas de governos de esquerda ao assumir o poder, sustenta que o país enfrenta uma tentativa de desestabilização articulada por setores ligados ao ex-presidente.

Morales, por sua vez, nega as acusações e afirma que o movimento que apoia seus seguidores representa uma reação ao modelo econômico atual. Segundo ele, trata-se de uma “sublevação contra o modelo neoliberal e o Estado colonial”, que teria deixado o governo sem legitimidade.

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O ex-presidente também minimizou a possibilidade de uma operação policial ou militar em sua região de refúgio, mas fez um alerta direto sobre as consequências de uma eventual investida. “Estão forçando uma guerra civil”, afirmou, acrescentando que comunidades camponesas estariam preparadas para resistir a qualquer ação das forças de segurança.

“Perante qualquer intervenção militar ou policial, os camponeses vão resistir”, disse. Ele afirmou não buscar confrontos, mas disse que seus apoiadores estão organizados.

Morales ainda classificou como “inventado” o processo que motivou o mandado de prisão, relacionado a acusações de tráfico de menores. Ele nega qualquer irregularidade e afirma ser alvo de perseguição política.

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Em meio ao cenário de instabilidade, o ex-presidente prevê uma escalada prolongada da crise caso a situação econômica do país não melhore. Para ele, a insatisfação popular tende a crescer.

“Se não se resolver a questão estrutural, que é a questão econômica, a qualquer momento qualquer setor se vai mobilizar”, afirmou.

Morales também diz não ter feito exigências diretas pela renúncia de Rodrigo Paz, mas defende mudanças profundas na condução do país. Entre elas, a manutenção do controle estatal sobre setores estratégicos.



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