Ler Resumo
Os líderes que participaram da cúpula da Otan em Ancara deixaram a Turquia com um problema inesperado na bagagem. Ao fim do encontro, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, presenteou chefes de Estado e de governo da aliança com um revólver personalizado, acompanhado de seis munições reais, gesto que provocou surpresa entre as delegações e gerou dificuldades para transportar as armas aos respectivos países.
O episódio veio à tona depois que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, revelou na quarta-feira 8 aos jornalistas que viajavam com sua comitiva que cada líder recebeu uma pistola gravada com o próprio nome, acondicionada em uma caixa vermelha com revestimento interno preto. Além da arma e das munições, o kit incluía uma nota informando que o item estava dispensado dos controles de exportação turcos.
Apesar da autorização concedida por Ancara, Starmer afirmou que optou por deixar o presente na Turquia, já que a legislação britânica impede a entrada de uma arma de fogo em condições de uso no país.

Entraves legais
As restrições impostas pelas leis nacionais fizeram com que outros líderes também evitassem levar imediatamente o presente para casa.
Na Bélgica, o gabinete do primeiro-ministro Bart De Wever informou que a arma foi entregue à polícia do aeroporto logo após a chegada da comitiva e permanece guardada em um cofre, enquanto as autoridades avaliam os procedimentos legais para o destino do objeto.
As equipes de segurança do premiê belga também ficaram responsáveis pelas armas destinadas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, ambos sediados em Bruxelas.
Segundo um porta-voz da Comissão Europeia, von der Leyen agradeceu o presente, mas pretende doá-lo a um museu militar depois que a arma for inutilizada.
Já os revólveres destinados a Starmer, ao chanceler alemão, Friedrich Merz, e ao primeiro-ministro holandês, Rod Jetten, permaneceram na Turquia devido às dificuldades para transportá-los conforme as normas internacionais sobre armas de fogo.
O gabinete do primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, informou que o presente será levado à Suécia apenas após o cumprimento de todas as exigências legais.
Escolha inusitada
O encontro ocorreu em meio a discussões sobre a guerra na Ucrânia, a escalada das tensões envolvendo o Irã e a pressão do presidente americano, Donald Trump, para que os aliados aumentem os investimentos em defesa.
Nesse contexto, a escolha de uma arma de fogo como lembrança oficial levantou questionamentos entre diplomatas. Segundo relatos de participantes ouvidos pela agência de notícias AFP, a pergunta mais frequente nos bastidores era: “Por que um presente assim?”
A troca de presentes entre chefes de Estado é uma tradição em encontros diplomáticos, mas a oferta de armas de fogo em pleno funcionamento é considerada um gesto incomum. Procurada, a Presidência da Turquia não comentou os motivos da escolha.

