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PP de Ciro Nogueira não deve se aliar a Flávio Bolsonaro – 22/07/2026 – Política


O presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), rejeitou nesta quarta-feira (22) o pedido de Flávio Bolsonaro (PL) para formar uma aliança na eleição pela Presidência da República. Apesar da negativa, Flávio não desistiu de atrair o PP e pediu mais tempo para convencer Nogueira.

Segundo duas pessoas próximas a Ciro Nogueira, o presidente nacional do PP se encontrou pessoalmente com Flávio Bolsonaro nesta quarta (22), em Brasília. O senador, por sua vez, nega ter rejeitado seu apoio ao pré-candidato na eleição nacional, o que, para aliados, mostra que ele pode ter deixado uma brecha a negociar com Flávio.

Mantida a decisão do partido, a federação União Progressista, formada pelo PP junto com o União Brasil, se manterá neutra na disputa eleitoral. Isso atrapalha Flávio na medida em que ele terá 20% a menos do tempo de propaganda de televisão do que seu principal adversário, o presidente Lula (PT).

Até o início do ano, Nogueira mostrava a aliados inclinação para se aliar a Flávio, de quem era próximo. Isso mudou, segundo interlocutores, depois de o presidente do PP ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de receber vantagens do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

À época, Flávio evitou defender o aliado político, com quem tinha também uma relação pessoal, o que deixou Nogueira contrariado com o presidenciável. Além disso, boa parte dos diretórios estaduais do PP se opunham à ideia de aliança com o senador do PL.

Quatro fontes da cúpula do partido e do União Brasil afirmam que a decisão pela neutralidade na disputa presidencial já está tomada há dias, como mostrou a Folha. O grupo afirma, inclusive, que a federação nem sequer deve realizar uma convenção nacional, pois não haveria necessidade de convocar um evento para anunciar que não haverá posição na eleição presidencial.

Em abril, Ciro Nogueira e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmaram que um apoio da federação a Flávio Bolsonaro só dependeria da moderação do discurso. “Ele tem tudo para receber nosso apoio”, declarou Nogueira na ocasião.

Apesar disso, o grupo avalia que Flávio Bolsonaro perdeu tração após o escândalo do filme “Dark Horse” e reclamam que o pré-candidato tem favorecido a família nas decisões políticas. Apontam também que ele não articulou de fato um apoio e dizem que um alinhamento formal ao PL poderia dificultar a eleição de bancadas de deputados nos estados.

Outro fator que afastou alianças foi a briga pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela publicou um vídeo, no final de junho, afirmando ter sido maltratada pelo enteado e indicando que não o apoiaria na corrida pela Presidência.

O grupo também culpa o coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), pelo que consideram um “isolamento” de Flávio Bolsonaro. O grupo aponta que houve uma centralização de decisões pelo parlamentar e pouco esforço do pré-candidato para atrair alianças.

Há uma quebra de expectativa do centrão, pois o grupo entendia que o pré-candidato do PL era o nome da família Bolsonaro com mais capacidade da articulação política.

O PL detém sozinho a maior parte do tempo de propaganda na TV. Apesar disso, seu isolamento deve colocar Flávio Bolsonaro em desvantagem em relação ao presidente Lula (PT), que conta com o apoio dos partidos federados, PC do B e PV, além de coligação com o PSB, PDT, PSOL e Rede.

No desenho atual, Flávio Bolsonaro teria 20% a menos de tempo de TV que Lula. A necessidade de conquistar uma fatia maior da propaganda eleitoral gratuita foi reconhecida na terça (21) por Marinho.

“É muito importante para nós, porque o tempo de televisão permite que a campanha possa mostrar o seu candidato, de que forma ele se comportará no exercício da Presidência da República, responder críticas e ser absolutamente transparente para com a sociedade”, afirmou o coordenador.

Dessa forma, para Flávio Bolsonaro, a última esperança de apoio de um grande partido será o Republicanos, presidido pelo deputado Marcos Pereira (SP). Apesar disso, fontes do partido classificam como improvável uma aliança formal com o PL.

Durante a pré-campanha, o presidenciável demonstrou dificuldades para conversar com Pereira. Apesar disso, ele aposta suas fichas na ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Filiada ao Republicanos, ela se tornou a favorita do pré-candidato para ocupar sua vice.

Flávio Bolsonaro chegou a conversar com Pereira na semana passada. Segundo fontes, o diálogo foi inconclusivo. O dirigente do Republicanos abriu consulta aos diretórios antes de cravar a decisão do partido.

Segundo integrantes da cúpula do Republicanos, a maioria dos diretórios estaduais é favorável a uma aliança com Flávio Bolsonaro. Mas a ala do Nordeste é terminantemente contrária, diante do favoritismo de Lula na região. A proximidade do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), com o petista também pesa contra uma coligação.



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