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Plano de Trump para flexibilizar armas nos EUA pode facilitar acesso do CV e PCC


Por determinação da Casa Branca, o Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) apresentou, em abril, um pacote com 34 propostas para alterar a regulamentação do setor. Entre as mudanças em análise estão a revogação de medidas adotadas durante o governo do ex-presidente Joe Biden e a autorização para que armas sejam compradas pela internet e entregues diretamente ao comprador, sem necessidade de comparecimento presencial a uma loja para a checagem de antecedentes criminais, que passaria a ser feita apenas de forma digital.

A revisão das normas faz parte da política de Trump para ampliar o acesso às armas com base na Segunda Emenda da Constituição americana, que garante o direito dos cidadãos de possuir e portar armamentos.

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Críticos da flexibilização, no entanto, afirmam que, além de ampliar os riscos internos nos Estados Unidos, onde episódios de violência armada são frequentes, as mudanças podem facilitar o desvio de armas para organizações criminosas internacionais.

Em maio, o governo dos Estados Unidos classificou o PCC e CV como terroristas. No início do mês, o Departamento de Tesouro americano aplicou sanções contra duas pessoas e três empresas brasileiras acusando-as de supostos vínculos com o PCC.

Origem das armas

Os EUA são historicamente uma das principais origens dos fuzis utilizados por organizações criminosas brasileiras. Parte desse arsenal entra no país por meio de compras legais realizadas em território americano e posteriormente desviadas para o mercado ilegal. As armas costumam ser desmontadas e escondidas em cargas comuns enviadas ao Brasil.

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Em maio deste ano, um fuzil AK-47 enviado da Flórida foi encontrado pela Receita Federal no Aeroporto de Viracopos escondido dentro de um forno. No mesmo terminal, em 2025, fiscais localizaram 30 fuzis desmontados destinados a diferentes estados brasileiros.

Outra rota frequente passa pela fronteira com o Paraguai. No mês passado, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu, no interior do Paraná, 26 fuzis — a maior apreensão desse tipo já realizada pela corporação. Desses, 22 eram da fabricante americana Colt.

Após a administração Trump eliminar as restrições impostas por Biden às exportações de armas civis para 36 países considerados de risco por histórico de violações de direitos humanos ou desvio de armamentos para o crime, a Anistia Internacional destacou a existência de um volume significativo de armas exportadas legalmente que acabam sendo utilizadas em crimes e violações de direitos humanos.

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A organização também citou um relatório do Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA (GAO), publicado em 2022, segundo o qual quase 20% das armas americanas recuperadas em cenas de crime na América Central podiam ser rastreadas até exportações autorizadas.

No Brasil, as apreensões de fuzis cresceram de forma expressiva nos últimos cinco anos. Um levantamento recente do Instituto Sou da Paz mostrou que 2.152 unidades foram apreendidas em 2025, o que equivale a um aumento de 167% em relação a 2021. Em outro estudo, o instituto identificou a origem de 1.701 dos 3.119 fuzis apreendidos entre 2019 e 2023: 738 haviam sido fabricados nos Estados Unidos, 586 no Brasil e os demais em outros países.



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