As negociações sobre o tarifaço, assim como qualquer retaliação aos Estados Unidos, tendem a ser colocadas de lado pelo governo brasileiro. Pelo menos por ora.
Lula deixou claro a interlocutores que não está disposto a se desgastar diretamente com Donald Trump.
Fontes ouvidas pela CNN avaliam que o plano político do petista é culpar o bolsonarismo e focar nas eleições; já do lado econômico, a ideia é viabilizar verba para um pacote de socorro aos empresários.
Fato é que o Brasil não tem arsenal, neste momento, para enfrentar um “olho por olho, dente por dente”.
Dobrar a aposta seria correr o risco de aumentar as consequências que, até aqui, são avaliadas como “sob controle”.
No fim das contas, o efeito econômico foi menor do que o esperado, já que a lista de exceções foi ampliada.
Segundo balanço da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a lista de exceções contemplou ao menos 429 setores, podendo ficar ainda maior, conforme empresas norte-americanas se sintam prejudicadas – em especial o setor de construção civil, que depende da matéria prima brasileira.
Neste momento, o governo Lula terá apenas o prejuízo financeiro de ampliar benefícios do programa Brasil Soberano que, diga-se de passagem, virou uma espécie de slogan para a campanha do petista, que busca se reeleger para comandar o Palácio do Planalto por mais quatro anos.
Nesse sentido, a orientação é administrar a situação diplomaticamente e deixar as questões mais sensíveis para depois das eleições.

