InícioBrasilPlanalto avalia que Rubio tenta legitimar Flávio como negociador de tarifas

Planalto avalia que Rubio tenta legitimar Flávio como negociador de tarifas


Após a carta enviada por Marco Rubio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta sexta-feira (26), o Palácio do Planalto avalia que o secretário de Estado dos Estados Unidos tenta “legitimar” o senador e pré-candidato à Presidência como principal interlocutor do Brasil na negociação do tarifaço.

Diplomatas ouvidos pela CNN acreditam que Flávio teria se inscrito para participar de audiência pública em Washington, no próximo dia 6, como parte desse esforço. Na ocasião, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) vai abordar o tarifaço imposto ao Brasil .

O objetivo de Flávio seria reduzir o impacto negativo que o tarifaço levou à sua popularidade. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que os Estados Unidos dão sinais crescentes de interesse no pleito de 2026 e de ter no Planalto um nome alinhado a Donald Trump.

No início de junho, o senador havia pedido a Rubio que Trump poupasse o Brasil do novo tarifaço. Na carta enviada a Flávio nesta sexta-feira, o secretário de Estado reforçou a posição norte-americana em defesa da aplicação de taxas sobre importações de produtos brasileiros.

O governo Lula indica nos bastidores que não há motivos para enviar um representante à audiência sobre a chamada “seção 301” – visto que este espaço é voltado para participação do setor privado. A avaliação é de que o grupo de trabalho firmado com os norte-americanos é o caminho adequado para esta negociação.

Como mostrou a CNN, o Planalto já vê como improvável que o Brasil escape do tarifaço dos Estados Unidos. A Casa Branca ameaça taxas de 25% no âmbito da seção 301 e de 12,5% por suposto descontrole sobre trabalho forçado.

Para diplomatas, a tarifa de 12,5% é um caminho encontrado pelo USTR (Representante comercial dos Estados Unidos) para repor as taxas derrubadas pela Suprema Corte norte-americana e está praticamente dada. O Brasil e outros 59 países são alvos dessa investigação.

Já sobre a seção 301, a avaliação é de que a Casa Branca não deve negar a recomendação do USTR de maneira a não criar um “precedente” para suas demais negociações. Fontes palacianas entendem que Donald Trump não irá abrir mão da taxação sem uma contrapartida que possa apresentar como uma vitória ao seu eleitorado interno.

Carta de Rubio a Flávio

Na resposta a Flávio, o secretário norte-americano reforça argumentos do USTR ao propor a imposição de taxas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”.

O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da 301 — ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.

Rubio destacou ainda que o embaixador Jamieson Greer propôs medidas corretivas para consulta pública, antes de qualquer medida definitiva ser adotada. “Essa determinação e as medidas corretivas propostas decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 por orientação específica do presidente Trump”, escreveu.

A resposta acontece dias após Flávio se inscrever para a audiência do USTR. O senador pediu cinco minutos para discursar presencialmente. Além disso, mencionou que já tratou do tema diretamente com Donald Trump e Marco Rubio.



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