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Peru vai às urnas para escolher entre direita e esquerda e pode indicar guinada na América Latina


Os peruanos vão às urnas neste domingo, 7, para o segundo turno de uma conturbada eleição em que escolherão o próximo presidente do país. Será o nono presidente a assumir o comando do Peru em apenas dez anos, numa década marcada pela instabilidade política.

Em uma disputa apertada, os eleitores escolhem entre a candidata da direita Keiko Fujimori, a ex-congressista e filha do falecido ditador Alberto Fujimori, e o esquerdista Roberto Sánchez, que foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e preso acusado de tentativa de golpe em dezembro de 2022.

As pesquisas mais recentes mostram empates técnicos entre os dois, com uma pequena vantagem para Fujimori, que foi a primeira colocada no primeiro turno em abril.

O cenário indefinido dificulta fazer previsões, mas a probabilidade de Fujimori finalmente vencer uma eleição é vista por analistas como um reforço da guinada à direita que tem sido vista na América Latina em suas trocas de comandos mais recentes, e fortalecendo no continente a corrente do republicano Donald Trump, de volta à presidência dos Estados Unidos desde janeiro do ano passado.

O Peru se junta à Colômbia, que também escolhe seu presidente neste mês, como uma espécie de teste de até onde esta onda vai. O ultradireitista Abelardo de la Espriella, que saiu na liderança do primeiro turno da Colômbia na semana passada, com 43,7% dos votos, é por enquanto o favorito no país. O segundo turno colombiano será disputado com o senador de esquerda Ivan Cepeda, que teve 40,9% dos votos, e acontece em 21 de junho.

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Chile, Argentina, Costa Rica e Equador foram outros latinos que colocaram líderes de direita na presidência em suas últimas eleições, além do próprio Trump, nos Estados Unidos, quando se olha para as Américas como um todo. Na Bolívia, as eleições de outubro passado colocaram fim em vinte anos de governos de esquerda no país – embora uma onda de protestos nos últimos dias já desafie o novo mandatário.

No Peru, Fujimori foi a primeira colocada no primeiro turno das eleições, realizado em abril, com 17,18% dos votos. Os 12,03% alcançados por Sánchez e a sua definição como o segundo concorrente do pleito, por sua vez, só foram confirmados um mês depois, há três semanas, em meio a uma apuração atabalhoada. Numa demonstração da fragmentação por que passa o Peru, a primeira rodada da corrida presidencial teve 35 candidatos. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e seis foram depostos pelo parlamento peruano.



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