Todos que estão empenhados na reeleição de Lula precisam refletir sobre sua fala na Espanha. Nela, o presidente reafirma a importância do debate sobre quais caminhos políticos devem ser seguidos para derrotar a extrema direita e impedir um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Quando Luiz Inácio Lula da Silva afirma que a esquerda virou “o sistema”, ele parece finalmente admitir que governar conciliando com elites econômicas, banqueiros e velhos privilégios transforma qualquer projeto popular em mera gerência do neoliberalismo. A ironia é que quem diz isso não é um analista externo, mas o próprio presidente.
O verdadeiro antissistema
o verdadeiro gesto antissistema seria mexer no bolso dos poderosos e redistribuir riqueza. Algo que Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Romeu Zema, Sergio Moro, entre outros, jamais fariam.
Hoje, no Brasil, posar de antissistema virou moda entre setores da extrema direita. Mas o verdadeiro gesto antissistema seria mexer no bolso dos poderosos e redistribuir riqueza. Algo que Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Romeu Zema, Sergio Moro, entre outros, jamais fariam. Afinal, eles são parte desse sistema concentrador de riqueza, machista, racista e LGBTfóbico.
Não se trata de gritar contra Brasília enquanto se protegem privilégios. Trata-se de democratizar radicalmente o Estado e enfrentar os donos do dinheiro.
Radicalizar na democracia: o que significaria de verdade?
Algumas pistas:
- Redução dos salários e penduricalhos parlamentares: quem legisla para o povo não pode viver em outro planeta.
- Revogação de mandatos parlamentares: ferramenta essencial de aprofundamento democrático e participação direta, permitindo a destituição de representantes eleitos que não cumpram suas promessas de campanha ou ajam contra os interesses populares.
- Combate aos privilégios da alta cúpula do serviço público: supersalários e benefícios incompatíveis com a realidade do povo trabalhador precisam acabar.
- Taxação dos super-ricos: lucros, dividendos, grandes fortunas e heranças milionárias devem financiar justiça social.
- Orçamento para a maioria trabalhadora: menos submissão aos rentistas da Faria Lima e mais investimento em saúde, educação, moradia e transporte.
- Garantir o fim da escala 6×1, ameaçada pelo Hugo Mota, presidente da Câmara.
Se o próprio Lula reconhece que a esquerda virou sistema, então resta uma saída:
Menos conciliação com os de cima.
Mais ligação com os de baixo.
Menos Faria Lima.
Mais povo.

