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O rosto da democracia brasileira — Senado Notícias


Eleições e Congresso: o caminho para um novo Código Eleitoral

Enquanto o eleitorado se transforma, o Congresso Nacional trabalha no projeto para o novo Código Eleitoral (PLP 112/2021), sob a relatoria do Senador Marcelo Castro (MDB-PI). O texto é ambicioso: com ele, o país vai unificar todas as suas normas eleitorais, hoje dispersas entre várias legislações.

Entre outras inovações, o novo Código pode incentivar a participação política das mulheres. O texto cria uma reserva de 20% das cadeiras nas casas legislativas para mulheres durante 20 anos. Atualmente, há uma cota para candidaturas femininas, mas nenhuma garantia de vagas. A ideia é reduzir o descompasso atual entre as candidaturas: apesar da maioria feminina e parda no eleitorado, as candidaturas ainda são predominantemente de homens (66%) e brancos (46,8%).

A iniciativa, porém, tem como contraponto a suspensão da punição para partidos que não cumpram a cota de candidaturas femininas, o que efetivamente leva ao fim dessa regra. A suspensão duraria ao longo dos 20 anos em que a reserva de vagas for aplicada. A Bancada Feminina do Senado argumenta que a perda da garantia de candidaturas não compensa, em termos de representatividade, a nova regra eleitoral das cadeiras garantidas para mulheres.

A modernização proposta pelo novo Código não se limita à representatividade: ela também busca blindar o processo eleitoral contra os riscos impostos pelas novas tecnologias. Segundo o relator, o uso da inteligência artificial nas campanhas passa a ter regras claras.

O novo Código Eleitoral reconhece que a tecnologia é um instrumento importante para ampliar o debate público, mas deixa claro que ela não pode ser utilizada para manipular a vontade do eleitor. Por isso, estabelecemos regras para o uso da inteligência artificial nas campanhas. Todo conteúdo produzido ou alterado por IA deverá ser claramente identificado, para que o cidadão saiba exatamente o que está consumindo. O objetivo é preservar a liberdade de expressão, mas impedir fraudes, manipulações e abuso de poder tecnológico que possam comprometer a igualdade entre os candidatos e a livre escolha do eleitor.

Senador Marcelo Castro

MDB-PI

Senador Marcelo Castro

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Para o senador, essa regulação não representa uma ameaça à liberdade de expressão — pelo contrário, ela visa justamente distinguir o debate político legítimo do uso fraudulento da tecnologia:

— A liberdade de expressão é um dos pilares da democracia e permanece plenamente preservada. O Código não pune opiniões, críticas ou posicionamentos políticos. O que ele combate é a fraude. Quando alguém utiliza inteligência artificial para criar uma falsa declaração de um candidato, manipular imagens ou induzir deliberadamente o eleitor ao erro, deixa de exercer a liberdade de expressão e passa a praticar um abuso que compromete a legitimidade da eleição. Nosso cuidado foi construir regras que garantam a transparência no uso da IA e responsabilizem quem age de má-fé.

Entre outras inovações, o projeto do novo Código Eleitoral também trata de:

  • Aumentar a transparência da prestação de contas partidárias
  • Instituir o voto impresso
  • Instaurar uma quarentena para agentes públicos se candidatarem

O projeto veio da Câmara dos Deputados e já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com parecer favorável. Agora, ele precisa da aprovação do Plenário do Senado. Como houve mudanças promovidas pelos senadores, ele precisará voltar para a confirmação dessas mudanças pelos deputados.

Mesmo se for aprovado antes de outubro, o novo Código não terá validade para as eleições deste ano, devido ao princípio da anualidade eleitoral: novas leis que alteram regras de eleições não se aplicam aos pleitos realizados dentro do primeiro ano da sua vigência.



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