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O que se sabe sobre resultado da última rodada de negociações entre EUA e Irã


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O Irã e os Estados Unidos encerraram uma rodada de negociações indiretas, na quarta-feira 1º de julho, em Doha, sem sinais de progresso. De acordo com autoridades a par das discussões que conversaram com a agência de notícias Reuters, as delegações americana e iraniana, com intermédio do Catar, se concentraram em questões que já haviam sido resolvidas pelo acordo provisório anunciado há duas semanas.

Durante os dois dias de diplomacia em Doha, durante os quais os negociadores de ambas partes realizaram encontros separados com mediadores cataris e paquistaneses, o principal tema à mesa foi o fluxo de navios que passam pelo Estreito de Ormuz — que deveria ter sido totalmente reaberto mediante o memorando de entendimento — e o descongelamento de fundos iranianos retidos em bancos no exterior — também já acertado, embora sem cronograma claro.

Além disso, os principais enviados dos Estados Unidos, o genro de Trump, Jared Kushner, e o magnata imobiliário Steve Witkoff — a Casa Branca despachou os dois para o que havia classificado como conversas de “alto nível” — não participaram das sessões, afirmou a Reuters.

O chefe da delegação iraniana, o vice-ministro das Relações Exteriores Kazem Gharibabadi, confirmou o encerramento da rodada. Nenhum dos lados informou se conseguiu superar alguma de suas divergências.

A próxima reunião ocorrerá após o funeral de Estado do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, cujo sepultamento foi adiado e agora está previsto para 9 de julho, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar. A chancelaria, como esperado, descreveu as últimas reuniões com contornos mais positivos, dizendo que elas geraram “avanços positivos” em questões relacionadas ao memorando que interrompeu a guerra em junho e deram “continuidade aos resultados” de uma cúpula na Suíça, na semana passada.

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Programa nuclear ficou para depois

Em Washington, o presidente americano, Donald Trump, declarou que os dois lados estavam avançando nas discussões sobre possíveis limites para o programa nuclear iraniano — a principal justificativa de Estados Unidos e Israel para a incursão militar, iniciada em 28 de fevereiro. “A desnuclearização do Irã está caminhando bem”, disse ele a repórteres. “Eles tiveram reuniões muito boas, e vamos ver no que dá.”

No entanto, fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que o programa nuclear não foi abordado nas conversas, que tiveram caráter técnico. O vice-presidente americano, J.D. Vance, também contradisse seu chefe e afirmou que a questão seria tratada posteriormente. “Obviamente, estamos preocupados com o tema nuclear; vamos começar a falar sobre isso”, disse ele a jornalistas.

Por ora, todas as atenções se concentram na questão: quem controla o Estreito de Ormuz?

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O acordo inicial prevê que o Irã e os Estados Unidos permitam a retomada da navegação pela nevrálgica rota marítima, onde antes da guerra passavam 20% do gás e petróleo consumidos no planeta. Embora o fluxo de embarcações tenha sido parcialmente retomado, há muitas incertezas sobre a situação no terreno, e os dois países trocaram ataques no fim de semana passado, após uma investida iraniana contra um navio de carga.

Tensão

Os comentários de Trump na quarta-feira sobre a última rodada de negociações minimizaram a possibilidade da retomada de uma guerra em larga escala contra o Irã, e os preços do petróleo caíram para o nível mais baixo em quatro meses. Analistas também reduziram suas previsões de preços pela primeira vez desde o início da guerra.

No entanto, o regime dos aiatolás continua determinado a obter reconhecimento internacional de seu controle sobre o estreito, mesmo que precise recorrer à força, segundo duas fontes iranianas de alto escalão ouvidas pela Reuters, e tem afirmado repetidamente que cobrará taxas de navegação a partir de meados de agosto, quando expirar o período de isenção previsto no acordo inicial.

“Ormuz continua a reabrir, mas o processo é irregular, imprevisível e não totalmente transparente”, avalia Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, empresa de análise do mercado de petróleo.



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