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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, que irá enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. A decisão coloca as facções brasileiras no mesmo status jurídico adotado anteriormente contra seis cartéis mexicanos, incluindo Sinaloa e Jalisco Nova Geração (CJNG), e duas gangues latino-americanas.
O histórico recente mostra que a rotulação de terrorismo por parte da Casa Branca abre espaço para uma maior atuação das forças militares e de inteligência dos EUA em outros países.
No México, a inclusão dos cartéis na lista de organizações terroristas em fevereiro do ano passado ampliou os instrumentos legais das autoridades americanas para investigar redes financeiras, impor sanções e monitorar operações internacionais ligadas ao narcotráfico. A medida também elevou a tensão entre Washington e o governo da presidente Claudia Sheinbaum.
Mesmo sem uma intervenção militar direta, a pressão americana aumentou após o governo do presidente Donald Trump defender ações mais agressivas contra os cartéis. Uma reportagem da emissora norte-americana CNN revelou que a CIA, agência de inteligência americana, vem travando uma série de operações secretas em solo mexicano desde 2025, com foco no desmantelamento de estruturas financeiras e logísticas das organizações criminosas.
As autoridades mexicanas acusaram os EUA de usar o combate ao narcotráfico como justificativa para ampliar sua influência sobre a segurança do México, enquanto Sheinbaum declarou que o país não aceitaria qualquer tipo de intervenção militar estrangeira e anunciou propostas para limitar a atuação de agentes internacionais em território mexicano.
Apesar da pressão americana, especialistas avaliam que os efeitos imediatos sobre a violência no México foram limitados, com os cartéis mantendo presença territorial, poder financeiro e influência em diferentes regiões do país.
Já na Venezuela, a estratégia culminou em uma invasão armada dos EUA em Caracas, com a captura do então presidente Nicolás Maduro. Antes da operação militar, o Departamento de Justiça dos EUA já havia indiciado Maduro por “narcoterrorismo”, sob a acusação de que o governo venezuelano operava em consonância com cartéis de drogas e grupos armados.
No caso brasileiro, a inclusão do PCC e do CV nas listas americanas pode facilitar investigações financeiras conjuntas e aumentar a cooperação internacional contra integrantes das facções que atuam fora do país. A previsão é de que o documento oficial com a classificação seja publicado no dia 5 de junho deste ano.
Pelas regras americanas, indivíduos acusados de oferecer “apoio material” às organizações poderão responder criminalmente nos Estados Unidos. As penas previstas chegam a 20 anos de prisão e podem ser ampliadas para prisão perpétua em casos relacionados a mortes.

