O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e a jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos debateram, nesta quinta-feira (14), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o áudio pode ou não derrubar candidatura de Flávio Bolsonaro?
Empresários reunidos em Nova York para o Brasil Week reagiram com perplexidade ao vazamento de um áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo apuração da CNN, parte dos participantes lamentou a revelação, enquanto outros a classificaram como uma verdadeira bomba.
A sensação predominante entre os empresários presentes no evento foi a de que a situação tornou-se insustentável para Flávio Bolsonaro. Alguns avaliaram que o episódio afasta o eleitor indeciso e o de centro, o que seria fatal para a campanha. Diante disso, o mercado e a elite empresarial passaram a discutir candidaturas alternativas no campo da direita, com os nomes de Romeu Zema e Ronaldo Caiado figurando entre os favoritos. No campo do bolsonarismo, surgiu o nome de Michelle Bolsonaro, que, segundo os relatos, não entusiasmou os empresários presentes.
Áudio enfraquece, mas não derruba
Ana Amélia Lemos avaliou que o vazamento “enfraquece, mas não derruba, neste momento, pelo menos” a candidatura de Flávio Bolsonaro. Para ela, o maior risco que a candidatura enfrenta é a divisão interna da direita. Ela destacou que Zema adotou uma postura de “enfrentamento direto e provocação”, aproveitando a situação delicada de Flávio Bolsonaro para ampliar seu espaço eleitoral, enquanto Caiado foi mais moderado. Ana Amélia também ressaltou que aliados de primeira hora, como o candidato Luciano Zucco, que disputa pelo PL no Rio Grande do Sul, já exigiram publicamente investigações e esclarecimentos sobre o caso.
Lemos mencionou ainda que Michele Bolsonaro seria, neste momento, o nome que melhor expressa a força do bolsonarismo, por carregar o sobrenome da família e por representar uma novidade na disputa eleitoral. No entanto, ponderou que essa possibilidade esbarra em uma divisão interna da família. “Realmente ainda vai ter muita água para correr embaixo dessa ponte”, afirmou, acrescentando que as eleições de 2026 prometem ser “incrivelmente emocionantes”.
“Uma bomba de nêutrons no colo de Flávio”
José Eduardo Cardozo descreve o episódio como “uma bomba de nêutrons no colo de Flávio Bolsonaro”. Segundo ele, os fatos atingem o candidato “de forma brutal em todas as dimensões”, tanto do ponto de vista da imagem quanto do ponto de vista ético. Cardozo apontou que, mesmo que a solicitação se restringisse ao financiamento do filme sobre o pai, o valor envolvido já seria gravíssimo: segundo ele, 60 milhões de reais já teriam sido repassados, e Flávio teria pedido o dobro para custear uma produção que, pelo mercado brasileiro, poderia ser realizada com muito menos.
Cardozo levantou ainda a suspeição de que o dinheiro possa ter ido para outros destinos, uma vez que a produtora responsável pelo filme teria declarado não ter recebido os valores. “Quem recebeu esse dinheiro?”, questionou. Ele também destacou que o episódio compromete o próprio discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro. “O que ele vai dizer? Que o seu adversário é corrupto? Que a esquerda é corrupta? Ele não tem saída para esse tipo de coisa do ponto de vista do discurso eleitoral”, afirmou. Cardozo concluiu que, embora não seja possível afirmar com certeza que a candidatura está derrubada, “a possibilidade dele se recuperar deste tombo portentoso é realmente muito delicada”.

