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O futuro do “país do futuro” e o papel das lideranças políticas | Blogs | CNN Brasil


Há quase um século, o Brasil convive com um epíteto que, involuntariamente, soa como infortúnio: o país do futuro parece esperar por um futuro que nunca chega.

Como toda ironia, há um fundo de verdade e porção equivalente de exagero, em especial quando se buscam culpados pela frustração não do que somos, mas do que poderíamos ser.

Os dados da pesquisa conduzida pela consultoria OnStrategy sobre a imagem e a reputação da Marca Brasil reforçam essa ideia ao se observar as pontuações relativas a “Governo e Liderança” e “Ambiente Político, Econômico e Social”.

O levantamento é o maior já produzido sobre a reputação do Brasil. Foram entrevistados pela OnStrategy 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros de forma online — entre cidadãos, executivos de empresas, jornalistas, influenciadores e autoridades entre outubro de 2025 e março de 2026.

E ambos os indicadores são apontados como vulneráveis no estudo, obtido com exclusividade pela CNN Brasil, e com percepções muito similares entre o público doméstico e o estrangeiro: o item “Ambiente Político, Econômico e Social” registrou 5,5 e 5,2, respectivamente; e “Governo e Liderança”, 5,4 e 5,3, em uma escala de 0 a 10.

Essa percepção precisa ser entendida no atual contexto de democracias liberais em crise de confiança mundo afora – ainda que, como recentemente apontado pela britânica The Economist, a chamada “recessão democrática” parece estabilizada e, no caso da América Latina, há uma discreta melhora no índice calculado pela divisão de inteligência da publicação, após nove anos de queda.

Estudos desse tipo costumam servir de alerta para o risco de se passar a enxergar regimes autocráticos ou totalitários como um “mal menor” ou atalho para avanços socioeconômicos.

Quando o austríaco Stefan Zweig publicou “Brasil, País do Futuro”, em 1941, obteve sucesso a ponto de se tornar síntese do lugar que o autor escolheu para fugir da perseguição nazista aos judeus.

Mas foi alvo dos críticos nacionais pelo tom ufanista em tempos de violenta ditadura varguista. Trajetória e perspectiva são determinantes para se enxergar um copo meio cheio ou meio vazio.

A regra segue válida ao se olhar os indicadores da OnStrategy no que diz respeito à governança, ambiente político e lideranças no Brasil.

Há muito o que se avançar quando se olham tais dados em meio a crises como a do Banco Master, à polarização em ano de eleições presidenciais e ao contexto global.

Mas há o que se celebrar quando o país chega à décima disputa direta e livre para presidente da República, regras minimamente reconhecidas pelos concorrentes e uma sociedade que, na maioria, apoia o processo eleitoral.

Como destacou à CNN Brasil o cientista político Lucas de Aragão, predomina no Brasil uma desconfiança generalizada em relação ao funcionamento das instituições – governos, Legislativos e Judiciário –, mas é preciso reconhecer que esses órgãos têm mais transparência e accountability aqui do que em países como China, Rússia ou Índia, para citar os integrantes originais dos Brics.

A avaliação desses itens da OnStrategy sobem conforme se percebe mais avanços materiais e objetivos – é no setor de Turismo que se obtém a maior nota em Governo e Liderança, por exemplo, com 7,5, e na Indústria o índice de Ambiente Político, Econômico e Social chega a 7,3, ambos considerados robustos pela consultoria.

Avanços e caminhos a serem trilhados existem rumo a um futuro próspero, ainda que pareçam aquém do que acreditam e desejam os brasileiros – natos ou por adoção, com Zweig.

A mesma pesquisa indica potenciais novos cavalos selados a serem montados, como o da transição ecológica, o da agricultura sustentável e o do patrimônio turístico e cultural, com possibilidade real de valorizar a Marca Brasil frente ao mundo.

Que os responsáveis pelas rédeas do país não deixem de aproveitá-los para que o futuro, enfim, se faça presente.

Pesquisa Marca Brasil na CNN

As entrevistas internacionais da pesquisa foram feitas com cidadãos do México, Argentina, EUA, Canadá, China, Japão, Índia, Emirados Árabes, África do Sul, Angola, Moçambique, Rússia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia, Áustria e Dinamarca.

Fundada em 2009 e sediada em Lisboa, a OnStrategy é uma consultora multidisciplinar de brand value management, focada na criação, construção e otimização do valor econômico e financeiro de negócios e marcas.

Ao longo desta semana, o portal da CNN Brasil e seus perfis nas redes sociais divulgaram uma série de conteúdos com detalhes da pesquisa. Na TV, o CNN Prime Time, exibiu uma série de quatro episódios temáticos que trazem os dados inéditos e os desdobramentos do estudo global.

A cobertura especial da CNN Brasil se encerra no domingo, 17 de maio, com um programa ao vivo, de uma hora, apresentado por Iuri Pitta e Elisa Veeck. Dividida em blocos temáticos, a atração debaterá com especialistas os impactos desses achados para a economia, política, agronegócio e segurança pública.

 



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