InícioMundoNetanyahu promete contra-ataque ao Irã e vira problema para Trump

Netanyahu promete contra-ataque ao Irã e vira problema para Trump


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo, 7 de junho, que pedirá para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para não retaliar após o Irã ter disparado uma salva de mísseis contra alvos israelenses em resposta a um ataque israelense nos arredores de Beirute, de acordo com o portal de notícias Axios. Há tempos, o Irã afirma que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos depende de um cessar-fogo no Líbano, que foi invadido por Israel em março, em meio a uma perseguição a combatentes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, que dispararam foguetes e drones através da fronteira em solidariedade a Teerã.

Segundo autoridades israelenses, os mísseis disparados pelo Irã foram interceptados pelos sistemas de defesa do país. Ainda não havia informações sobre possíveis danos ou vítimas — e é a primeira ofensiva iraniana desde o cessar-fogo em abril, que pode prejudicar bastante o projeto de Trump de resolver os conflitos no Oriente Médio. As Forças de Defesa de Israel publicaram um comunicado no Telegram, prometendo o contra-ataque: “IDF: O Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel está atualmente realizando uma avaliação da situação com o Fórum do Estado-Maior: ‘As Forças de Defesa de Israel atacarão o inimigo com determinação assim que a ordem for dada.’”.

De acordo com a agência Reuters, Trump foi informado sobre a escalada de tensões entre o Irã e Israel enquanto passa fim de semana em seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey.

Em declaração à emissora Fox News, o republicano afirmou que a reação iraniana não contribui para os esforços diplomáticos em curso e voltou a defender uma retomada das negociações. O republicano também demonstrou insatisfação com a ofensiva israelense realizada horas antes na região sul de Beirute: “Com certeza isso não vai ajudar nas negociações. O que eu sugiro ao Irã é: vocês lançaram seus mísseis, isso já basta, voltem à mesa de negociações e façam um acordo.”.

O episódio representa mais um capítulo da crise envolvendo Israel, Irã e o Hezbollah, grupo armado libanês apoiado por Teerã. Embora a Casa Branca tenha anunciado recentemente uma proposta de cessar-fogo para o Líbano, ataques e contra-ataques continuam ocorrendo. O governo iraniano sustenta que qualquer acordo mais amplo com os Estados Unidos depende da interrupção das operações militares israelenses em território libanês.

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A retórica das lideranças dos dois lados indica que a tensão pode aumentar nos próximos dias. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf, afirmou que instalações americanas e alvos israelenses continuam sendo considerados legítimos diante do que chamou de violações dos acordos relacionados ao Líbano. “Eles mostraram que só entendem a linguagem do poder”, escreveu ele no X, antigo Twitter. Já integrantes da ala mais conservadora do Parlamento iraniano, como Ebrahim Rezaei, um influente parlamentar linha-dura que atua como porta-voz do comitê de segurança nacional do país, prometeram uma resposta “decisiva e dolorosa” caso novos ataques israelenses ocorram.

Do lado israelense, autoridades sinalizaram que qualquer ação militar partindo do Irã poderá servir de justificativa para ampliar a campanha militar na região. O cenário preocupa Washington, que busca avançar em um acordo que envolva não apenas o fim dos confrontos, mas também restrições ao programa nuclear iraniano. Enquanto isso, ataques envolvendo bases americanas no Golfo, confrontos no Estreito de Ormuz e disputas sobre sanções econômicas seguem dificultando qualquer avanço diplomático significativo.

A nova troca de ataques ocorre justamente quando Estados Unidos e Irã tentavam construir as bases de um entendimento preliminar para reduzir as hostilidades. A deterioração do ambiente de segurança reforça o temor de que o conflito volte a se espalhar por diferentes frentes do Oriente Médio, comprometendo tanto os esforços diplomáticos quanto a estabilidade de uma das regiões mais estratégicas do mundo.



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