InícioMundoNa Otan, Trump troca Lula por outro líder com ‘química’

Na Otan, Trump troca Lula por outro líder com ‘química’


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Parece até mais tempo, mas foi em setembro passado que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas para comentar sobre a “química excelente” com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — desde então, vieram mais anúncios sobre tarifas, ameaças ao Pix, a classificação do Comando Vermelho (CV) e PCC como organizações terroristas, e por aí vai.

Nesta terça-feira, 7, o americano parece ter trocado de vez o petista no ranking das boas relações, se vangloriando agora da “química” que tem com seu par turco, Recep Tayyip Erdogan, ao chegar a Ancara para a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Trump, que foi recebido pessoalmente por Erdogan na pista do aeroporto quando desembarcou do Air Force One, antes de ser escoltado pelas ruas vazias da capital turca por cavaleiros montados em garanhões brancos. Entre as críticas já habituais aos seus aliados europeus pela falta de apoio em sua guerra contra o Irã, o ocupante do Salão Oval reservou raros elogios ao presidente da Turquia.

“A Otan me decepcionou muito”, disse ele no palácio presidencial. “Francamente, se (a cúpula) não tivesse sido realizada na Turquia, onde meu amigo é um líder forte, uma pessoa muito forte, é possível que não tivesse participado. O que existe entre nós é química”, resumiu.

O presidente americano afirmou ainda que “vai considerar” a venda de aviões de combate F-35 para a Turquia, após ter tirado o país do programa caças em 2019 porque Ancara adquiriu um sistema russo. Há muito tempo, a Turquia tenta resolver a questão de sua readmissão no programa dos F-35 e a suspensão das sanções americanas em virtude de uma lei, dois temas que deterioraram as relações e dificultaram os projetos de defesa turcos.

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Reunião tensa

Os dirigentes da Otan esperam que a boa relação que Trump tem com Erdogan ajude a aparar as arestas, ou ao menos evitar um racha com o presidente americano que atinja ainda mais a aliança militar ocidental.

No entanto, Trump se mostrou ainda muito ressentido com as restrições impostas às forças americanas que usavam bases militares no começo da guerra contra o Irã.

“Estava colocando-os à prova (…), estava testando para ver se estariam ali ou não porque há muito tempo disse que nós os ajudamos, mas não estou certo de que eles estivessem ali para nós”, disse.

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Na tentativa de demonstrar à Casa Branca que estão cumprindo a promessa de aumentar os gastos na defesa, os membros da Otan anunciaram acordos milionários de vendas de armas antes de sua chegada. Segundo a agência de notícias AFP, que ouviu um diplomata da aliança transatlântica, o valor total destes contratos passa de US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 258,3 bilhões), e já foi confirmado um contrato com a companhia sueca Saab para substituir a frota de aviões de reconhecimento Awacs, fabricados pela americana Boeing.

Há um ano, os integrantes europeus da Otan e o Canadá se comprometeram a aumentar seus orçamentos na defesa para 5% do PIB até 2035, sob pressão de Washington. A Espanha foi o único país a se distanciar desse objetivo. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, insiste que os europeus cumpriram suas promessas com gastos militares maiores e assumindo mais responsabilidade na defesa do continente frente à Rússia.

“Apenas um ano depois, já vemos um avanço transformador”, declarou Rutte antes da cúpula, que continua na quarta-feira.



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