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Moraes manda investigar celulares de advogado de Bolsonaro sobre joias sauditas


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar informações encontradas em celulares apreendidos com o advogado Frederick Wassef durante as investigações sobre o caso das joias sauditas. A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou necessário analisar os novos elementos identificados pela Polícia Federal.

Os aparelhos foram apreendidos em agosto de 2023 durante o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wassef e outros investigados no inquérito que apura o suposto desvio e a venda ilegal de joias e presentes recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a corporação, a análise complementar dos dispositivos revelou “eventos fortuitos” que não possuem relação direta com o objeto original da investigação.

“Do exame das razões apresentadas pela Procuradoria-Geral da República, verifico que os fatos noticiados pela Polícia Federal não possuem conexão com o objeto destes autos. Diante do exposto, desentranhe-se as informações encaminhadas pela Polícia Federal e autue-se petição autônoma e sigilosa”, escreveu Moraes na decisão a que a Gazeta do Povo teve acesso (veja na íntegra).

Wassef rebateu a decisão de Moraes e afirmou que teve suas prerrogativas como advogado “seriamente violadas quando sofri busca e apreensão por 4 horas e meia, sem a presença de representante da OAB”.

“Jamais pratiquei qualquer irregularidade e não existe nada em meus celulares de ilegal ou sequer indícios de ilicitude que justifiquem apuração sem justa causa”, completou (veja na íntegra mais abaixo).

O inquérito das joias investiga um suposto esquema de enriquecimento por meio da venda ilegal de joias e bens de luxo pertencentes à União, que teriam sido incorporados ao patrimônio privado do então presidente Bolsonaro. No âmbito dessa investigação, ele e Frederick Wassef foram indiciados pela Polícia Federal.

Segundo a Polícia Federal, um grupo de auxiliares e pessoas próximas de Bolsonaro teria atuado para viabilizar a venda de joias, relógios e outros itens de luxo recebidos de autoridades estrangeiras, além de tentar recomprar parte desses bens após o caso vir à tona.

Com base nas investigações, Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e outras pessoas, entre elas o advogado Frederick Wassef, foram indiciados por supostos crimes relacionados ao desvio dos presentes oficiais.

Antes da nova determinação, Moraes já havia encaminhado, em março, o material para manifestação da PGR. O órgão defendeu a abertura de uma investigação específica para avaliar as “hipóteses criminais cogitadas”, destacando que os fatos identificados não têm “conexão ou pertinência” com o inquérito sobre as joias sauditas.

De acordo com a Polícia Federal, os novos dados surgiram durante a extração das informações armazenadas nos aparelhos de Wassef. Por esse motivo, a corporação solicitou que o conteúdo fosse analisado em um procedimento independente, destinado exclusivamente à apuração dos fatos descobertos.

Apesar do avanço das apurações conduzidas pelo STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu em 5 de março o arquivamento da investigação envolvendo as joias recebidas por Bolsonaro. Segundo ele, a legislação brasileira não define de forma clara se presentes recebidos pelo presidente durante o exercício do cargo pertencem à União ou ao ocupante da presidência da República, o que inviabilizaria uma eventual denúncia contra o ex-presidente e aliados.

O que dizem os citados

Veja abaixo o que disse o advogado Frederick Wassef:

As minhas prerrogativas como advogado foram seriamente violadas quando sofri busca e apreensão por 4 horas e meia, sem a presença de representante da OAB.

O próprio Ministro Relator determinou que a busca fosse acompanhada por representante da OAB, e tal decisão judicial foi descumprida, afrontando toda a classe dos advogados do Brasil e criando um perigoso precedente.
É nula e ilegal a busca e apreensão, estando viciada na origem.

À parte disso, o lapso temporal de 3 anos e 3 meses não permite a figura do “evento fortuito”, sendo, na realidade, uma flagrante pesca probatória, ilegal e vedada pelo próprio STF.

Jamais pratiquei qualquer irregularidade e não existe nada em meus celulares de ilegal ou sequer indícios de ilicitude que justifiquem apuração sem justa causa.

Correção

Uma versão anterior deste texto informava que Frederik Wassef era ex-advogado de Jair Bolsonaro. A informação foi corrigida para constar que ele ainda representa o ex-presidente.

Corrigido em 02/07/2026 às 13:46



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