A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (24) que o pré-candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro, a maltratou e humilhou em uma conversa por telefone. Ela classificou o tratamento como uma “punhalada” e disse que não fala com o enteado desde o fim de 2025.
Em dezembro de 2025, o diretório do PL do Ceará, presidido pelo deputado André Fernandes, declarou apoio a uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB). A ex-primeira-dama não concordou com a decisão e apoiou a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo.
A manifestação fez com que Flávio e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a criticassem publicamente. O impasse parecia ter se resolvido após uma reunião com a cúpula do partido. Após Michelle criticar a aliança com Ciro, ela relatou ter sido alvo de postagens “coordenadas” e “agressivas” por parte de Flávio e seus irmãos nas redes sociais.
Ela detalhou uma ligação telefônica na qual o senador teria sido “ríspido” e a teria desrespeitado, afirmando que ela “não entendia nada de política” e que deveria se afastar das decisões partidárias.
“Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, disse.
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, acrescentou.
Ela chegou a publicar uma nota em que pedia perdão pelo embate com enteados em razão da articulação no Ceará. “Pedi perdão, mas disse também, e vou repetir aqui, que eu tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles”, afirmou Michelle, no vídeo.
Diante disso, a ex-primeira-dama afirmou ter se “recolhido”, mas disse manter sua convicção de que não trocará valores por “pragmatismo político oportunista”.
É dia do Brasil, ninguém me aborrece, alfineta Flávio
Após a publicação do vídeo de Michelle, Flávio fez uma live nas redes sociais para mostrar que estava acompanhando o jogo do Brasil contra a Escócia e, por isso, “nada nem ninguém” o aborrece.
“Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol”, disse o senador. Sem citar a madrasta, ele afirmou que “o que está em jogo no Brasil está muito acima de qualquer vaidade”.
Michelle diz sofrer ataques “covardes” de “bolsonaristas” nos EUA
Sem citar nomes, Michelle disse ser alvo de ataques de influenciadores baseados nos Estados Unidos. Segundo ela, essas pessoas, que se apresentam como “bolsonaristas” e lucram com essa imagem, aproveitaram sua ausência — enquanto ela cumpria uma missão política no Ceará a pedido do próprio marido — para humilhá-la publicamente.
“O grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior continua agindo e me atacando todos os dias. Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com o Flávio. Eles fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro na tentativa de me atingir. Não me atingem. Eu sei quem eu e o meu marido somos”, afirmou.
Ela relatou que esses influenciadores comandavam ataques “gratuitos e covardes”, induzindo seguidores ao erro ao afirmarem que ela não estaria se importando com a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em janeiro deste ano, a ex-primeira-dama rebateu uma insinuação feita por Allan dos Santos de que ela estaria apoiando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa pela Presidência.
Ela afirmou que o jornalista é um “boneco de ventríloquo de canalhas” e o chamou de Allan “dos demônios”. Na ocasião, o também jornalista Paulo Figueiredo também criticou Tarcísio. Tanto santos quanto Figueiredo moram nos Estados Unidos.
“Será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha? Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo. Será que na irresponsabilidade deles, eles imaginam o que estão fazendo com ela? Claro que não. Eles não se importam. Para eles tudo é política, e uma política que não existe em função do ser humano. Esse tipo de política não serve para nada além de egoísmo”, disse Michelle nesta quarta.

