O que começou como uma necessidade de saúde se transformou na nova marca do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após passar por um tratamento contra um câncer de pele no fim de abril, o petista incorporou os chapéus ao seu guarda-roupa.
A mudança virou mote para modelos populares, que estão sendo vendidos no comércio eletrônico como “chapéu presidente Lula Panamá”.
A adoção do acessório atende a uma prescrição médica para proteção contra os raios UV depois de uma cirurgia, em abril, para a retirada de uma lesão no couro cabeludo decorrente de um carcinoma basocelular —o tipo mais comum e menos agressivo de câncer de pele. Como parte do tratamento preventivo, o presidente também foi submetido a 15 sessões de radioterapia.
No pronunciamento para o Dia do Trabalhador, Lula usou um de seus modelos mais utilizados: o panamá. O chapéu é da marca brasileira Sarquis By ABA. Feito à mão no Equador com a palha toquilla, uma fibra natural extraída das folhas da palmeira Carludovica palmata, a marca comercializa a versão mais simples por R$ 1.450. As opções com tramas mais finas podem ultrapassar R$ 3.750.
O panamá também acompanhou Lula na diplomacia internacional. Convidado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para a conferência do G7, realizada no início de junho em Évian-les-Bains, na França, Lula usou o modelo da Sarquis para a foto oficial ao lado dos líderes das maiores economias do mundo.
Para o consultor de imagem masculina Alexandre Taleb, a peça deu uma camada de refinamento à imagem do presidente.
“Eles [equipe] perceberam que é uma peça muito bacana, que passa um refinamento atemporal e uma imagem mais europeia”, analisa. Taleb diz que a escolha dos modelos tem sido acertada para o biotipo de Lula. “A aba larga combina mais com pessoas que têm o rosto arredondado ou mais cheio.”
Outro modelo que tem aparecido é um chapéu de feltro preto da grife italiana Borsalino, considerada uma das marcas mais luxuosas na chapelaria. A peça feita de pelo animal, reconhecida pela assinatura metálica dourada no laço lateral, foi a escolha do presidente ao chegar ao hotel na França.
O Borsalino voltou a aparecer em 23 de junho, durante o lançamento da nova fase do programa Celular Seguro, na Base Aérea de Guarulhos (SP).
No site oficial, um clássico chapéu de feltro da Borsalino custa entre U$ 300 e U$ 800 (R$ 1.563 a R$ 4.168).
O uso do feltro escuro durante o dia não é adequado, segundo o consultor de imagem, porque o material é grosso e aquece a cabeça. Taleb também cita o protocolo: pela etiqueta clássica, a fita escura que envolve a copa do feltro indicaria que o acessório deveria ser restrito à noite e retirado em locais fechados. “Mas hoje a gente não é tão rígido”, pondera.
O especialista lembra que o nome “Panamá” surgiu devido aos trabalhadores do Canal do Panamá que usavam o acessório no início do século 20.
O então presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, ajudou a criar a tendência após ser fotografado com o chapéu na visita à construção do canal.
No closet do presidente, há ainda um panamá da fabricante catarinense Marcatto, cujos valores variam entre R$ 640 e R$ 780. Na Shopee e no Mercado Livre, anúncios batizados como “chapéu presidente Lula Panamá” usam fotos do petista para vender réplicas sintéticas.
Com preços que variam de R$ 39,90 no Mercado Livre a R$ 79,90 na Shopee, os produtos acumulam mais de 400 avaliações que evidenciam o engajamento político por trás da compra. Nas avaliações, os clientes comentam: “Já vou votar com ele em 2026” e “Meu avô ficou parecido com o Lula”.
Alexandre Taleb afirma que um legítimo chapéu equatoriano pode chegar a R$ 6.000 pela complexidade de sua fibra, o que permite até que a peça seja guardada na mala sem amassar. “Espero que crie o hábito em uma nova geração. Era tão bonito quando todo mundo usava chapéu. O brasileiro está muito largado, é muito tênis e boné.”

