O abalo na relação do Palácio do Planalto com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), deve aparecer entre os assuntos da reunião que acontece na manhã desta segunda-feira (25) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O chamado de Lula foi feito para afinar a estratégia para o fim da escala 6×1, que Hugo espera aprovar até quinta-feira (28). Mas o encontro deve passar também pelo tema da articulação política do governo no Congresso Nacional.
A reunião é mais um passo da aproximação entre Lula e Hugo, que se acentuou nos últimos meses. Hugo tem se disposto a tentar ajudar o governo a melhorar a relação com o presidente do Senado, abalada desde que Lula escolheu o procurador-geral da República, Jorge Messias para uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal).
O movimento se dá em conjunto com o ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, que é próximo de Hugo Motta e também tem boa relação com Alcolumbre.
As conversas têm como pano de fundo as eleições deste ano. Do lado de Hugo, há a tentativa do presidente da Câmara de pavimentar uma aliança em apoio à candidatura do pai dele, Nabor Wanderley, ao Senado pela Paraíba.
O desafio, entretanto, é que Lula tem dois aliados na corrida: Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e João Azevedo (PSB), este último tido como favorito. Também entra na conta o plano do presidente da Câmara de tentar permanecer no comando da Casa na próxima legislatura.
A avaliação do governo é que o jogo eleitoral pesa na relação com Alcolumbre, apesar de acenos já feitos ao presidente do Senado.
Aliados de Lula citam como exemplos indicações para cargos e a decisão do Planalto de não impor obstáculos à derrubada do veto que permitiu que municípios inadimplentes recebam recursos federais. Alcolumbre havia se comprometido a derrubar o veto durante a Marcha dos Prefeitos.

