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Juíza anula acordo entre Trump e Receita dos EUA que dava proteção fiscal ao presidente


Uma juíza federal dos Estados Unidos anulou nesta segunda-feira, 13, o acordo firmado entre o presidente Donald Trump e a Receita Federal americana (IRS, na sigla em inglês), que garantia ao republicano, seus familiares e às empresas ligadas a eles uma ampla proteção retroativa contra fiscalizações e reivindicações tributárias.

Na decisão, juíza distrital Kathleen Williams concluiu que o processo foi usado de forma indevida para conferir aparência de legitimidade a um pacto sem respaldo legal. Segundo ela, nunca existiu uma controvérsia jurídica real entre Trump e a IRS, porque, como presidente dos EUA, ele exerce, na prática, controle sobre a agência e sobre o Departamento do Tesouro.

“Como esse fato era óbvio e incontornável, o tribunal conclui que o caso foi apresentado com uma finalidade imprópria: obter o selo de legitimidade judicial para um ‘acordo’ que não tinha fundamento nem na lei nem nos fatos”, escreveu Williams.

A magistrada ainda acusou o governo de abandonar seu dever de defender o interesse público e afirmou que autoridades do Departamento de Justiça ignoraram normas internas e perseguiram objetivos que extrapolavam — e, em alguns casos, violavam — sua autoridade legal.

Williams também determinou sanções contra advogados ligados ao caso. Um dos representantes de Trump, o advogado Alejandro Brito, foi encaminhado à Ordem dos Advogados da Flórida para eventual processo disciplinar, enquanto outro ficou impedido de atuar no distrito sul do estado por um ano. 

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Em nota divulgada pela emissora CNN, um porta-voz de sua equipe jurídica de Trump afirmou que o presidente continuará “fazendo com que aqueles que prejudicam os Estados Unidos e os americanos sejam responsabilizados”.

Acordo entre Trump e a IRS

A ação havia sido movida por Trump, seus dois filhos mais velhos e a Organização Trump, que pediam 10 bilhões de dólares (cerca de R$ 51 bilhões) por causa do vazamento de declarações de imposto de renda por um ex-funcionário terceirizado do IRS a veículos de imprensa.

O caso foi encerrado em maio após um acordo entre as partes. Além de assegurar imunidade retroativa contra fiscalizações e cobranças tributárias, o entendimento previa a criação de um fundo de quase 1,8 bilhão de dólares (cerca de R$ 9,2 bilhões), financiado com recursos públicos, para indenizar pessoas que alegassem ter sido alvo de investigações governamentais motivadas por razões políticas durante o governo do ex-presidente Joe Biden.

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Diante de críticas de republicanos e democratas, o Departamento de Justiça abandonou posteriormente essa parte do acordo, mas manteve a proteção fiscal concedida a Trump.

Desde sua volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump alega que órgãos de investigação foram “instrumentalizados” contra ele e seus aliados durante o governo Biden, citando como exemplos as investigações e acusações que enfrentou após deixar a presidência em 2021.

O ex-procurador-geral Merrick Garland, no entanto, sempre negou motivação política nos inquéritos e afirmou que todas e quaisquer decisões foram tomadas com base em evidências. Durante sua gestão, o Departamento de Justiça também investigou o próprio Biden e processou seu filho, Hunter Biden.



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