Ler Resumo
O líder chinês, Xi Jinping, expressou apoio nesta segunda-feira, 27, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua “oposição à interferência externa”, informou a imprensa estatal de Pequim, em meio à pressão que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, impõem ao Brasil.
Os dois governantes conversaram por telefone apenas três meses antes das eleições nas quais Lula enfrentará Flávio Bolsonaro (PL), próximo da Casa Branca e considerado um dos principais motores de interferências americanas em assuntos brasileiros — do novo tarifaço de 25% sobre produtos exportados daqui para os Estados Unidos à classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações estrangeiras terroristas.
“A China valoriza muito o status internacional do Brasil e sua importante influência”, declarou Xi a Lula durante a ligação, segundo a agência estatal de notícias Xinhua, acrescentando que “apoia o Brasil na salvaguarda de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e estabilidade regionais e mundiais”.
O petista afirmou em seu perfil no X (ex-Twitter), por sua vez, que ele e o líder chinês concordaram sobre “a importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China” e reiterou que seu governo “segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais”.
Foi uma aparente referência à pressão tarifária dos Estados Unidos sobre o Brasil, mas o comunicado divulgado por Lula não menciona as “interferências externas” citadas pela Xinhua.
Mantive na noite deste domingo, 26 de julho, uma conversa telefônica de mais de uma hora de duração com o presidente da China, Xi Jinping.
Durante o telefonema, tratamos da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países. Reiteramos o…
— Lula (@LulaOficial) July 27, 2026
Tarifaço, eleições e crise diplomática
O governo Trump impôs, nas últimas semanas, duas novas tarifas sobre produtos brasileiros, após a Suprema Corte americana suspender as punições impostas em 2025 como represália pelo julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.
Lula considera as tarifas americanas como uma tentativa de exercer influência política em um ano eleitoral. No último final de semana, o Itamaraty negou o visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano que pretendiam se reunir nesta semana com autoridades eleitorais em Brasília, segundo informações do jornal The Washington Post confirmadas por VEJA.
As duas autoridades de alto escalão americanas solicitaram a autorização de viagem na última segunda-feira 20, um dia antes de Flávio Bolsonaro participar de um evento com embaixadores em Brasília, onde atacou as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

