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Gilmar presta desserviço à Justiça brasileira, diz Alessandro Vieira


O senador Alessandro Vieira (MDB-AL) disse nesta sexta-feira (24) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes presta um “desserviço” à Justiça brasileira. A fala foi uma resposta à declaração do magistrado sugerindo que ele seria financiado pelo crime organizado.

Em entrevista à CNN Brasil, Vieira reforçou a declaração que o magistrado não tem postura de ministro e atua como “ator político”.

“Gilmar presta um desserviço à Justiça. A postura não é de magistrado, é de ator político. O relatório da CPI apontou a infiltração do crime organizado, mas ao longo do caminho esbarramos em fatos que dizem respeito a condutas de ministro. E apontei essas condutas. Por isso indicamos alguns ministros. Na República, ninguém está acima da lei. Eu só manifestei o meu voto. Não é abuso de autoridade”, afirmou o congressista.

Mais cedo, também em entrevista à CNN Brasil, Gilmar Mendes havia chamado o relatório da CPI do Crime Organizado de “esquizofrênico”.

“Uma coisa esquizoide, esquizofrênica. Qual a hipótese que se coloca? Não há crime organizado no Brasil? A CPI resolveu o problema do crime organizado? O relatório não dedica uma linha ao problema do crime organizado e coloca os ministros do Supremo nesse foco. Ou nós nos tornamos muito charmosos para os políticos, atrativos para os efeitos eleitorais, e a outra hipótese é: será que ele está sendo financiado pelo crime organizado?”, disse Gilmar.

Vieira negou que seja financiado pelo crime organizado e respondeu afirmando não ser alvo de nenhuma acusação, “ao contrário do ministro”. O senador também teceu críticas à postura de Mendes de dar muitas entrevistas “como se fosse um pré-candidato”.

“O ministro Gilmar dá show e faz entrevistas sequenciais como se fosse um candidato em pré-campanha. Ele não responde a nenhum fato: carona em jatinhos, contratos milionários. As ofensas são variadas, ele tem repertório. É lamentável. Ele faz embate político”, afirmou.

Vieira disse também que a postura do ministro revela uma “arrogância muito grande” e a certeza de “impunidade”. O senador fazia referência aos casos envolvendo os ministros do STF e as investigações envolvendo o caso do Banco Master.

O senador também fez uma defesa do trabalho realizado pela CPI do Crime Organizado. Segundo Vieira, o relatório final da comissão fez um “mapeamento completo” das facções violentas no Brasil e disse que elas são parte do problema e não o problema completo.

“Para essa elite arrogante, sempre foi muito confortável colocar o combate ao crime apenas na periferia, o confronto violento contra o pobre armado, eles se surpreendem e reagem assim de forma agressiva quando a gente começa a explicar para a sociedade, crime organizado é uma coisa muito maior, e crime organizado só existe com lavagem de dinheiro estruturada e infiltração pela corrupção. Essas duas coisas foram materializadas no relatório, foram demonstradas no relatório com muita responsabilidade”, concluiu.



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