O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), criticou nesta sexta-feira (22) os juros elevados, a burocracia excessiva e a dificuldade de acesso ao crédito dos produtores rurais brasileiros. O parlamentar se somou a críticos que veem a formação de uma “tempestade perfeita” para o financiamento da safra deste ano.
As críticas foram feitas durante uma visita de Flávio à AgroBrasília, na capital federal, onde conversou com produtores, empresários e representantes do setor agropecuário. Ele demonstrou preocupação com a alta da inadimplência e disse que o governo precisa prestar mais apoio ao setor.
“O produtor rural acorda cedo, trabalha de sol a sol e ajuda a colocar comida na mesa dos brasileiros. O mínimo que o Estado deveria fazer é apoiar quem produz, e não sufocar o setor com burocracia, insegurança e crédito caro”, declarou.
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Durante a visita, Flávio também afirmou que pretende defender medidas para reduzir entraves ao setor e ampliar o acesso ao financiamento rural. O senador reforçou o discurso em defesa do agronegócio e criticou o que chamou de excesso de pressão sobre produtores.
“O governo tem que perseguir bandido, não produtor rural”, afirmou.
As críticas feitas por Flávio Bolsonaro ocorrem em meio ao aumento da pressão do agronegócio sobre o governo federal por mudanças no crédito rural e no próximo Plano Safra. Na última semana, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (PP-PR), também alertou para o agravamento da crise no campo.
Segundo Lupion, o setor enfrenta uma “tempestade perfeita”, causada pela soma de custos elevados, juros altos, crédito escasso e preços baixos das commodities. O parlamentar afirmou que produtores rurais convivem com aumento no valor dos insumos, diesel caro, frete elevado, dificuldades para obter fertilizantes e financiamentos com custo efetivo de até 20%.
“Isso é resultado de uma série de fatores que culminaram todos neste ano: aumento expressivo do custo de produção com insumos agropecuários caros, a questão geopolítica internacional, os preços baixos das commodities, frete e diesel elevados, custo alto com mão de obra, crédito escasso e caro, produtores endividados, dificuldade de disponibilidade de fertilizantes, juros reais com custo efetivo de 20% ao produtor”, afirmou.
O presidente da FPA ainda criticou o modelo atual do Plano Safra e disse que os recursos anunciados pelo governo acabam rapidamente. Lupion afirmou que a situação fiscal do governo federal pode dificultar o atendimento das demandas do agronegócio, cujos pedidos do setor variam entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões.
“A irresponsabilidade fiscal do governo é tão grande que eles não têm de onde tirar esse valor”, declarou.
Lupion também demonstrou preocupação com a falta de recursos para o seguro rural nos últimos anos. Segundo ele, a ausência de subvenção encarece ainda mais os financiamentos e aumenta o risco para produtores que dependem do crédito para manter a produção.


