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Ex-presidente iraniano Ahmadinejad é colocado em prisão domiciliar por laços com Israel, diz jornal


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O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad foi colocado em prisão domiciliar pela ala de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica após autoridades iranianas descobrirem contatos com Israel, segundo uma reportagem do jornal The New York Times publicada nesta segunda-feira, 13.

A investigação do jornal norte-americano afirma que Israel conduziu, durante anos, uma operação secreta para recrutar Ahmadinejad como fonte de inteligência e, posteriormente, prepará-lo para assumir o comando do país em caso de queda do regime dos aiatolás. O plano faria parte de uma estratégia mais ampla de mudança de governo em Teerã.

Um dos episódios da operação ocorreu em 2024, quando Ahmadinejad foi convidado para participar de uma conferência sobre mudanças climáticas na Universidade Ludovika, em Budapeste. O reitor da instituição, Gergely Deli, afirmou que foi informado por um integrante do governo húngaro de que o evento serviria de fachada para reuniões sigilosas entre o ex-presidente iraniano e agentes da inteligência israelense.

Ex-integrantes do governo dos Estados Unidos disseram ao NYT que David Barnea, o então diretor do Mossad, agência de inteligência e operações especiais de Israel, viajou pessoalmente à capital húngara para encontrar Ahmadinejad. Ainda de acordo com a investigação, Israel também teria custeado despesas do ex-presidente iraniano e realizado pagamentos a Ali Akbar Javanfekr, seu porta-voz.

Em fevereiro, um ataque aéreo israelense atingiu o complexo residencial de Ahmadinejad em Teerã. De acordo com autoridades americanas e iranianas ouvidas pelo New York Times, agentes do Mossad retiraram o ex-presidente do local e o levaram para um esconderijo secreto. Pouco tempo depois, porém, ele deixou o abrigo em circunstâncias não esclarecidas e só voltou a aparecer publicamente no funeral do aiatolá Ali Khamenei, que ocorreu na semana passada.

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Após tomarem conhecimento sobre os contatos de Ahmadinejad com Israel, as autoridades iranianas determinaram sua prisão domiciliar, segundo o jornal.

Fontes próximas a Ahmadinejad afirmaram que sua motivação para colaborar com Israel não seria financeira, mas política. “Ele tem dinheiro; possui uma ampla rede econômica. Ele faria isso pelo poder. Ele quer estar no comando do poder”, disse Abdolreza Davari, ex-assessor e aliado de Ahmadinejad, ao New York Times em entrevista por telefone.

Quem é Ahmadinejad 

Presidente iraniano entre 2005 e 2013, Ahmadinejad se tornou uma das figuras mais conhecidas da política iraniana no exterior por suas declarações agressivas contra Israel, defesa contundente do programa nuclear iraniano e ataques frequentes aos Estados Unidos. Durante sua passagem pelo poder, também ficou conhecido pela repressão implacável a opositores e por declarações controversas, como a negação do Holocausto.

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Nos últimos anos, porém, Ahmadinejad acumulou atritos com o núcleo duro do regime iraniano. Criticou autoridades por corrupção e má gestão, viu aliados próximos serem presos e teve barradas tentativas de disputar novamente a Presidência em 2017, 2021 e 2024. Apesar das divergências, porém, nunca rompeu formalmente com a República Islâmica.

Segundo o NYT, Ahmadinejad vivia sob vigilância constante do regime iraniano em sua residência no bairro de Narmak, no leste de Teerã.

Objetivos da guerra

Uma investigação anterior do The New York Times publicada em maio já havia revelado que um dos objetivos iniciais dos Estados Unidos com a guerra no Irã era devolver ao comando do país o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

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De acordo com a investigação, o governo israelense elaborou um plano de mudança de regime discutido com Washington que previa levar Ahmadinejad de volta ao centro do poder.

O plano previa diferentes etapas que combinavam ataques militares, eliminação de lideranças iranianas, campanhas de influência política e ações voltadas a ampliar a instabilidade interna no país.

A revelação joga holofotes sobre uma dimensão mais ambiciosa da guerra do que a apresentada publicamente pela Casa Branca. Desde o início do conflito, o presidente Donald Trump e integrantes de seu governo sustentaram que o objetivo americano era enfraquecer as capacidades militares e nucleares do Irã, sem mencionar formalmente uma estratégia voltada à derrubada do regime.

Dias depois dos primeiros bombardeios, porém, Trump chegou a afirmar publicamente que seria melhor se “alguém de dentro” assumisse o controle do país. Segundo o jornal americano, esse nome era Ahmadinejad.



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