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A ex-secretária-geral da presidência da Colômbia, Angie Rodríguez, acusou nesta terça-feira, 28, o presidente Gustavo Petro de maus-tratos e ameaças após denunciar uma suposta rede de corrupção dentro do governo. As declarações ampliam a crise política às vésperas do fim do mandato do líder de esquerda, que deixará o cargo em 7 de agosto, quando o presidente eleito Abelardo de la Espriella será empossado.
Rodríguez, que foi uma das colaboradoras mais próximas de Petro até o rompimento da relação no início deste ano, afirmou que a estrutura irregular funcionava com conhecimento do presidente e atuava para influenciar nomeações de altos cargos políticos.
Segundo ela, o grupo era liderado por Juliana Guerrero, de 24 anos, aliada de Petro e sem experiência política. A ex-secretária disse ter se recusado a autorizar diversas indicações, entre elas a nomeação de Guerrero para o cargo de vice-ministra da Igualdade, após a constatação de que o diploma universitário apresentado era falso.
De acordo com Rodríguez, a recusa em atender aos pedidos do presidente desencadeou uma mudança no tratamento recebido dentro do governo. Ela afirmou que passou a sofrer maus-tratos por parte de Petro e sugeriu que ele chegou a ameaçá-la.
“Manipuladora”
Em entrevista à rádio Blu, a ex-secretária-geral da presidência disse que a postura do presidente lhe recordou “seu passado na guerrilha”, em referência à participação de Petro no antigo grupo armado M-19 durante sua juventude. Ela afirmou ainda que o tratamento recebido durante o período em que trabalhou no governo provocou problemas de saúde mental, incluindo depressão e ansiedade.
Petro, por sua vez, rejeitou as acusações e classificou a ex-secretária como “manipuladora”.
Após deixar a Secretaria-Geral da Presidência, em janeiro, Rodríguez assumiu o comando de uma entidade responsável pelo financiamento de projetos em áreas atingidas por desastres naturais.

