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EUA revertem suspensão de sanções ao Irã após ataques em Ormuz: ‘Inaceitável’


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Os Estados Unidos revogaram nesta terça-feira, 7, uma licença que suspendia temporariamente as sanções ao petróleo do Irã após o registro de ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz, que o governo americano classificou como “totalmente inaceitáveis”.

“As ações do Irã no estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências”, afirmou à agência de notícias AFP um funcionário do Departamento do Tesouro americano.

A isenção anunciada em junho havia permitido inicialmente que a república islâmica produzisse, vendesse e entregasse petróleo bruto e produtos relacionados até o dia 21 de agosto, durante o período que os dois países reservaram para conversas diplomáticas com o intuito de encerrar o conflito de maneira permanente. A suspensão das sanções estava prevista pelo memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã em 17 de junho.

No entanto, o Irã voltou a atacar navios nas águas do Estreito de Ormuz, colocando em dúvida o acordo provisório com os Estados Unidos, cujo objetivo inicial era reabrir a nevrálgica rota marítima, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no mundo, e depois estabelecer os termos para uma paz duradoura no Oriente Médio.

A empresa britânica de rastreamento marítimo UKMTO declarou nesta terça-feira, 7, que ao menos três petroleiros foram atingidos por projéteis desconhecido próximo a Omã, e que uma explosão provocou um incêndio. Não houve relatos de vítimas.

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Enquanto isso, o jornal americano The Wall Street Journal reportou que a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico do regime dos aiatolás, disparou contra pelo menos dois navios comerciais, algo confirmado também pelo portal de notícias Axios, com base em fontes do governo americano.

Em paralelo, a agência de notícias estatal iraniana Fars informou que um petroleiro do Catar foi atacado ao tentar transitar pelo Estreito de Ormuz “após ignorar repetidos avisos”. Doha culpou o Irã pelos disparos, afirmando que a embarcação Al Rekayyat, carregada com gás natural liquefeito (GNL), foi atingida por um drone que provocou um incêndio em sua casa de máquinas.

Tensão nas negociações

Os ataques ocorreram enquanto o Irã realiza os ritos fúnebres para enterrar seu falecido líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, assassinado nos bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro. Durante as homenagens, Teerã suspendeu as frágeis negociações com Washington.

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Na segunda-feira, Trump disse a repórteres que os Estados Unidos chegariam a um pacto definitivo com o Irã ou “terminariam o serviço” por via militar. Nesta terça, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, respondeu: em uma postagem no X (ex-Twitter) acompanhada de fotos de multidões prestando homenagens a Khamenei, ele alertou que as negociações “não começarão se as ameaças (americanas) continuarem”. O chanceler lembrou que o memorando de entendimento assinado com Washington estabelece o fim dos combates em todas as frentes, inclusive no Líbano, onde as forças israelenses continuam realizando ataques nesta semana.

Outra condição, claro, é que o Irã garanta a passagem segura e livre de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

Moeda de troca

Autoridades iranianas têm usado o estreito como moeda de troca nas negociações. Desde a assinatura do memorando de entendimento, há mais de duas semanas, um número maior de navios conseguiu atravessar a passagem; muitos deles seguem uma rota próxima a Omã, país que compartilha a gestão da hidrovia.

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Enquanto isso, Teerã tem tentado fortalecer sua posição de negociação ao afirmar que as tripulações precisam de permissão para atravessar Ormuz seguindo rotas aprovadas por autoridades iranianas. No domingo 5, a Guarda Revolucionária Islâmica alertou que sua Marinha havia mobilizado barcos de patrulha para bloquear a “rota de Omã”.

Muitas embarcações seguem inseguras e o tráfego pelo estreito não registrou aumento significativo desde o acordo provisório entre Teerã e Washington, segundo a UKMTO, que alertou para a persistência de riscos na região.

“O risco permanece menor do que no período anterior ao memorando de entendimento; no entanto, a intenção e a capacidade do Irã de realizar ações hostis deliberadas persistem, e o ambiente continua a exigir vigilância redobrada, apesar da ausência de uma escalada recente”, afirmou o órgão no último domingo.

Entre os dias 3 e 5 de julho, 108 navios atravessaram Ormuz, de acordo com a agência de rastreamento marítimo MarineTraffic. Antes da guerra, mais de 120 embarcações transitavam pela rota diariamente.



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