O Comando Central dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, 13, novos ataques contra o Irã, sob ordens do presidente Donald Trump.
“O Comando Central dos EUA iniciou a terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã, sob a orientação do Comandante-em-Chefe”, escreveu o comando militar no X, antigo Twitter. “Esses ataques continuarão a impor um alto custo às forças iranianas e a reduzir sua capacidade de atacar civis inocentes e embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
Segundo uma fonte militar ouvidas pela rede americana CNN, entre os alvos estão sistemas de vigilância e instalações ligadas às operações de drones e mísseis.
Mais cedo, em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt, Trump sugeriu que os EUA estão monitorando de perto alvos iranianos, mas evitou discutir detalhes operacionais.
“Vamos atingi-los com força total hoje à noite e vamos atingi-los com força amanhã”, disse o presidente.
Hewitt perguntou se as forças armadas dos EUA ou de Israel sabiam a localização da liderança militar iraniana restante e se poderiam atacá-la; Trump respondeu: “Sim, eu sei, mas não queremos falar sobre isso. Mas certamente estamos monitorando”.
Os ataques renovados seguem a decisão de Trump de tomar controle do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas que forem transportadas pela via.
Em entrevista à emissora americana Fox News, o ocupante do Salão oval disse que Washington atuará como “guardiã do estreito” e, apesar dele se opor veementemente à ideia de Teerã de passar a cobrar taxas das embarcações que transitam pela rota, afirmou que pretende cobrar um “pedágio” caso o plano se concretize.
De acordo com o presidente dos Estados Unidos, lideranças do Irã participaram de negociações com enviados americanos, uma reunião de 11 horas onde “tudo havia sido acordado” — mas que, depois, segundo ele, começaram a exigir mudanças. Sobre a retomada de hostilidades, Trump garantiu que Teerã está levando uma “surra” na guerra.
Em resposta, o principal comando militar conjunto do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, afirmou que o país não permitirá que Washington interfira na gestão do Estreito de Ormuz. Em vídeo, um porta- voz afirmou que qualquer tentativa americana de organizar a passagem pelo estreito fora das rotas designadas por Teerã e sem coordenação com as forças armadas iranianas enfrentará forte resistência.
Fechamento de Ormuz
A retomada das hostilidades no fim de semana e o anúncio iraniano de um novo bloqueio na rota marítima, estratégica para o comércio mundial de combustíveis, provocaram um aumento de mais de 4% no preço do petróleo. Nesta segunda, as forças americanas no Oriente Médio disseram ter atingido “sistemas iranianos de defesa aérea militar, unidades de radar na costa, capacidades de mísseis e drones e barcos pequenos”, ações que pretendiam impedir a república islâmica de bloquear a passagem pelo estreito.
No entanto, a autoridade iraniana responsável por Ormuz declarou publicamente o fechamento do estreito nesta segunda-feira, citando ações militares americanas como motivo.
“Devido a ações hostis recentes das forças dos estados Unidos, a passagem pelo Estreito de Ormuz é atualmente inviável. Assim que a estabilidade e a calma forem restauradas, todas as solicitações serão analisadas de acordo com o cronograma previsto, e o processo de permissão será retomado”, afirmou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) em comunicado.
“Lembramos que a única maneira de obter uma permissão de passagem é através do nosso site”, continuou o comunicado.
Acordo em xeque
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, anunciou em seguida que atacou a Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, um centro de comando de drones militares no Bahrein e duas bases aéreas no Kuwait, de acordo com IRNA. Os iranianos também reivindicaram ataques contra instalações americanas em Omã. No domingo, foram relatados ataques contra bases americanas no Catar.
O Exército do Kuwait confirmou nesta segunda-feira que precisou responder a “objetos aéreos hostis” lançados contra seu território.
A retomada de disparos parte a parte, que ocorreu na última segunda-feira e desde então escalou, mina o memorando de entendimento para acabar com a guerra, que abalou a economia global. Estados Unidos e Irã assinaram, em 17 de junho, um protocolo de acordo que previa 60 dias de trégua para negociar o fim permanente da guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro por um ataque conjunto israelo-americano contra o território iraniano.

