As Forças Armadas dos Estados Unidos deram início nesta terça-feira, 14, a novos ataques contra o Irã, pelo quarto dia consecutivo, para “continuar enfraquecendo as capacidades iranianas usadas para atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz”. A operação acontece pouco antes do início de um bloqueio à via marítima.
“Os ataques estão ocorrendo enquanto as forças americanas se preparam para retomar o bloqueio naval contra portos e áreas costeiras iranianas. O bloqueio entra em vigor às 16h ET (17h, horário de Brasília)”, afirmou o Comando Central dos EUA, em comunicado.
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Bloqueio a navios iranianos
Na segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, anunciou o retorno de um bloqueio a navios iranianos em Ormuz e a cobrança de um valor de 20% de toda a carga que passar pela rota. Embora tenha voltado atrás no plano de pedágio, após disparada nos preços do petróleo e amplas críticas, o plano de controle da área manteve-se em vigor.
O bloqueio, segundo Trump, será feito apenas para embarcações do Irã e ao longo de toda a costa iraniana. Washington começou a bloquear o tráfego de navios de e para os portos do Irã em abril e encerrou a medida em junho, após um acordo provisório entre os países.
Antes da recuada, a cobrança entraria em vigor nesta terça-feira às 20h GMT (17h no horário de Brasília). Diante desse cenário, por volta das 8h, o barril do petróleo avançava 4,97%, cotado a 87,44 dólares. Na sessão anterior, o Brent, referência internacional, já havia disparado 9,59%, encerrando o dia a 83,30 dólares por barril.
Tropas americanas já haviam lançado uma série de ataques na noite de segunda-feira e madrugada desta terça, 14, em uma nova escalada após a recente retomada das hostilidades. Quatro novas explosões foram ouvidas perto de Bandar Abbas, cidade portuária do sul iraniano situada no Estreito de Ormuz, segundo a agência de notícias estatal Irna; em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica disparou contra ao menos dois petroleiros, de acordo com a agência de monitoramento marítimo UKMTO — que os Emirados Árabes Unidos afirmaram ser seus.
A UKMTO informou os ataques iranianos ocorreram na rota sul, que margeia a costa de Omã — o caminho que os Estados Unidos recomendaram, em vez da rota norte que Teerã quer que seja usada. “Recomenda-se que as embarcações naveguem com cautela”, disse o órgão em comunicado.
Nesta madrugada, os Emirados Árabes informaram que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois petroleiros do país — o Mombasa e o Al Bahiyah —, matando um tripulante e ferindo outros oito. O governo emirati condenou o “ataque flagrante”, que qualificou como uma “violação grave e uma clara infração ao direito internacional, e afirmou reservar “o pleno direito de responder à escalada e adotar todas as medidas necessárias para proteger seu território, seus cidadãos e moradores”.
Do total de 46 tripulantes nas duas embarcações, 30 eram indianos, e a vítima fatal tinha cidadania indiana. Em reposta, o Ministério das Relações Exteriores da Índia convocou o vice-chefe da embaixada do Irã em Nova Délhi para registrar um “protesto veemente” contra os ataques aos navios.
Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica reivindicou uma operação no Bahrein, incluindo um ataque contra um edifício residencial das forças americanas na base de Juffair.
Cessar-fogo quebrado
Após quase 40 dias de bombardeios no conflito desencadeado pelos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, um cessar-fogo entrou em vigor no início de abril e foi ratificado em 17 de junho por meio de um protocolo de acordo.
Mas, desde as novas agressões dos últimos dias contra navios que tentavam atravessar Ormuz, os confrontos foram retomados com uma intensidade sem precedentes, o que levou Trump a afirmar que o cessar-fogo “acabou”.
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos enviou ainda uma notificação oficial ao Congresso indicando que o conflito com o Irã havia sido retomado, segundo a agência de notícias AFP.
Já o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou na segunda-feira que o memorando de entendimento de junho, que serviu de base para as negociações e suspendeu o bloqueio americano em Ormuz, estava “em crise”. Baqaei avisou que o Irã ignoraria suas obrigações no âmbito do pacto se os Estados Unidos fizessem o mesmo, mas acrescentou que Teerã continuava mantendo conversas com mediadores do Catar, do Paquistão e de Omã para evitar uma escalada maior.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou na segunda-feira sua “profunda preocupação” com a escalada regional.

